"Não há pressa" em votar, diz Pacheco sobre PEC das praias
Presidente do Congresso disse que não há prazo para texto ir ao plenário e debate será feito de forma cautelosa

O presidente do Congresso Nacional, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), disse nesta segunda-feira (3/6) que “não há pressa” em votar a proposta de Emenda Constitucional (PEC) nº 3 de 2022, agora conhecida como PEC das praias. A proposta ganhou as redes sociais nos últimos dias depois da realização de uma audiência pública que debateu o texto.
“Muita cautela, muita prudência, sem pressa. Não há nenhum prazo para isso [ir a plenário]”, afirmou Pacheco a jornalistas. O texto estabelece a transferência dos terrenos de Marinha, sob domínio da União, para empresas privadas, o que causou um debate sobre a limitação do acesso das pessoas ao mar em alguns lugares.
“Em razão dessa grande notoriedade, de um tema dessa natureza que ganha repercussão, que gera polêmica, é muito importante que a decisão do Senado Federal seja refletida a partir de todos esses argumentos”, completou o parlamentar.

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Ver todasA proposta já foi aprovada na Câmara em 2022 e agora está na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) é o relator. Durante a audiência pública, realizada na segunda-feira (27/5), o parlamentar se posicionou favorável ao tema que, segundo ele, irá atingir 521 mil propriedades cadastradas pela Secretaria de Patrimônio da União (SPU).
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles“Os prefeitos conhecem mais a situação dos municípios do que nós aqui do Senado. É um fato: a PEC não privatiza praias”, destacou Flávio Bolsonaro.
Questionado sobre a sua opinião pessoal sobre a proposta, Pacheco disse que iria se “aprofundar no tema”. “Sinceramente, eu como presidente do Senado, em um tema que está sendo amadurecido, vou me reservar a não opinar. […] Como senador, eu vou me aprofundar”, afirmou.
A PEC de autoria do ex-deputado federal Arnaldo Jordy (Cidadania-PA), se promulgada, revogaria um trecho da Constituição e autorizaria a transferência dos territórios de Marinha, de forma gratuita, para habitações de interesse social e para Estados e municípios, onde há instalações de serviços.
“Fica vedada a cobrança de foro e de taxa de ocupação das áreas de que trata o art. 1º desta Emenda Constitucional, bem como de laudêmio sobre as transferências de domínio, a partir da data de publicação desta Emenda Constitucional”, diz trecho da proposta.
Atualmente, as praias pertencem à União e são geridas pela SPU, ligada ao Ministério de Gestão e Inovação em Serviços Públicos, que se posicionou contrária à aprovação da matéria.
Para adquirir a posse definitiva do terreno, os ocupantes particulares inscritos junto à SPU poderão deduzir do valor a pagar o que já foi pago a título de taxa de ocupação ou de foro nos últimos cinco anos.
Agora, para os ocupantes não inscritos, a compra do terreno dependerá da ocupação ter ocorrido há pelo menos cinco anos antes da aprovação da PEC e da comprovação da boa-fé.
O que são terrenos de Marinha?
Os terrenos de Marinha estão previstos no Decreto-Lei nº 9.760, de 1946. Eles estão localizados entre a linha imaginária da média das marés e 33 metros para o interior do continente.
Confira:

A linha imaginária da média das marés é baseada na Carta Náutica de 1831.



