“Não entendi o movimento”, diz Flávio sobre Ratinho Jr. no Planalto
Pré-candidato a presidente, Flávio Bolsonaro avaliou que pré-candidatura do governador do PR ao Planalto não tinha “razão”
atualizado
Compartilhar notícia

Um dia após o governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), desistir de disputar o Planalto, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nesta terça-feira (24/3) que não via razão para a pré-candidatura do paranaense.
Ao deixar o evento de filiação de Sergio Moro ao PL, Flávio fez elogios ao paranaense e disse não compreender a movimentação de Ratinho Júnior pela corrida ao Planalto.
O governador era o nome preferido da direção do PSD para a disputa da Presidência da República, mas anunciou na segunda-feira (23/3) que desistiria da disputa interna para concluir o mandato no governo do Paraná.
A decisão surpreendeu tanto aliados de Flávio quanto integrantes do grupo político de Ratinho. O governador havia sido procurado por lideranças do PL para abrir mão da pré-candidatura em troca de uma possível aliança na eleição estadual do Paraná.
Questionado sobre os motivos da desistência, Flávio disse desconhecer as razões que levaram o governador a recuar, mas fez um aceno político ao classificá-lo como uma “grande liderança”.
Segundo o senador, Ratinho Júnior é um “bom quadro” para compor alianças em nível nacional.
“Não sei. Acho que tem de perguntar para ele. Eu quero ele bem, gosto dele, admiro o trabalho dele. Sinceramente, não estava entendendo o movimento de ser candidato a presidente. Não tinha nenhuma razão para ele fazer isso. Agora, é preciso saber o que motivou ele a lançar e depois voltar atrás”, afirmou.
Pouco antes, ao comentar a filiação de Sergio Moro ao PL e a escolha do senador como pré-candidato do partido ao governo do Paraná, Flávio disse que Ratinho Júnior será “bem-vindo” em uma eventual composição.
“O Ratinho Júnior é uma grande liderança, um governador bem avaliado. Ele tem um partido político que toma as decisões, e todos respeitamos isso. [Mas] agora temos um alinhamento programático do Moro com o PL”, declarou.
Aliados do presidente do PSD, Gilberto Kassab, avaliam que a saída de Ratinho Júnior. da disputa pela candidatura do partido à Presidência pode abrir espaço e fortalecer o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, na corrida pela vaga. A disputa agora se concentra entre o goiano e Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul. Caiado, segundo dirigentes, é quem tem mais chances de ser escolhido.
Ratinho era o nome preferido de Kassab para encabeçar a primeira candidatura do PSD ao Planalto. O governador do Paraná, no entanto, enfrentava resistências tanto no âmbito familiar quanto em seu grupo político no estado.
Segundo aliados, a família de Ratinho Júnior já sinalizava desconforto com a possibilidade de ele disputar a Presidência. Nas últimas semanas, também cresceu a preocupação dentro de seu núcleo político com a sucessão no Paraná.
O governador tem adiado a definição do nome que representará o PSD na eleição estadual de outubro, o que pode levar ao aprofundamento de um racha em sua base aliada. Interlocutores também avaliam que a pressão do PL para que ele desistisse da candidatura, somada ao anúncio de que Sergio Moro pretende disputar o governo do Paraná pelo partido, também pode ter pesado na decisão.
Com a saída de Ratinho Júnior, o PSD passa a ter dois nomes cotados para a disputa presidencial: os governadores Ronaldo Caiado (Goiás) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul). Antes da desistência, Kassab havia indicado que anunciaria o escolhido até o fim de março. Dirigentes do PSD esperam que o prazo seja mantido.
Vice e plano e governo de Flávio
Flávio Bolsonaro voltou a afirmar que ainda não há previsão para o anúncio de um candidato a vice-presidente em sua chapa para 2026.
“A gente não está tratando de vice ainda. Estamos conversando”, disse.
Questionado sobre a possibilidade de o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), ocupar a vaga, o senador apenas elogiou o mineiro.
“Romeu Zema é do Novo, está colocado como pré-candidato. É, obviamente, um grande quadro também, mas vamos com calma”, afirmou.
Flávio também declarou que ainda é cedo para apresentar um plano de governo ou indicar nomes para um eventual ministério.














