“Não basta parecer honesto, é preciso provar”, diz Malafaia sobre MEC

Ministro Milton Ribeiro é acusado de favorecer prefeitos amigos de pastores para destinação de verbas do FNDE, a pedido de Bolsonaro

atualizado 22/03/2022 20:32

silas malafaiaMarcos Corrêa/PR - 03/09/2021

Em meio à repercussão sobre a influência de pastores na destinação de verbas do Ministério da Educação, o pastor Silas Malafaia cobrou uma postura mais incisiva do ministro Milton Ribeiro. “Não basta parecer honesto, é preciso provar que é honesto”, afirmou o líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo ao Globo.

Malafaia é um dos principais aliados do presidente Jair Bolsonaro (PL) entre os evangélicos. “O ministro tem obrigação de prestar contas para a sociedade com a máxima transparência, senão coloca todos os pastores no mesmo saco de denúncias. Não queremos ter pecha de corrupção”, completou, ao jornal.

Pressionado pela bancada evangélica, Milton Ribeiro negou em nota as acusações de que favorece indicados por pastores em agendas e direcionamento de dinheiro da pasta. Em áudio revelado pela Folha de S.Paulo, ele aponta que o apoio preferencial seria consequência de um pedido direto do presidente da República, Jair Bolsonaro (PL).

“A alocação de recursos federais ocorre seguindo a legislação orçamentária, bem como os critérios técnicos do Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação (FNDE)”, escreveu Ribeiro.

O texto assinala ainda que “não há possibilidade” de o ministro ser responsável pela alocação de recursos para favorecer entes federativos. “Registro ainda que o presidente da República não pediu atendimento preferencial a ninguém, solicitou apenas que pudesse receber todos que nos procurassem, inclusive as pessoas citadas na reportagem.”

Entenda o caso

Reportagem do jornal Estado de S.Paulo revelou a existência de uma espécie de gabinete paralelo na pasta. Os pastores Gilmar Silva dos Santos, presidente da Convenção Nacional de Igrejas e Ministros das Assembleias de Deus no Brasil (CGADB), e Arilton Moura, assessor de Assuntos Políticos da CGADB, não têm cargo público no ministério, mas participam de agendas com o ministro Milton Ribeiro frequentemente.

O grupo atuaria com a facilitação de acesso ao titular da pasta e direcionamento de recursos para políticas públicas. De acordo com o jornal, os dois trazem prefeitos a Brasília e também acompanham viagens de Milton Ribeiro, que também é pastor.

Em áudio revelado pela Folha de S.Paulo, Ribeiro detalha ainda que o favorecimento seria pedido por Bolsonaro. “Foi um pedido especial que o presidente da República fez para mim sobre a questão do [pastor] Gilmar”, afirma Ribeiro em conversa gravada. “A minha prioridade é atender primeiro os municípios que mais precisam e, em segundo, atender a todos os que são amigos do pastor Gilmar”, diz em reunião com prefeitos.

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