MP pede para TCU investigar se MEC prioriza evangélicos em agenda

Grupo de pastores e religiosos faria parte de espécie de "gabinete paralelo", com direcionamento das agendas do ministro Milton Ribeiro

atualizado 18/03/2022 19:23

MECMarcelo Camargo/Agência Brasil

O Ministério Público (MP) junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) solicitou nesta sexta-feira (18/3) que o tribunal investigue suposta priorização de lideranças evangélicas para agendas e recursos do Ministério da Educação (MEC).

O pedido, assinado pelo subprocurador Lucas Rocha Furtado, é baseado em denúncia feita pela reportagem do Estado de S.Paulo sobre a existência de uma espécie de gabinete paralelo na pasta.

Os pastores Gilmar Silva dos Santos, presidente da Convenção Nacional de Igrejas e Ministros das Assembleias de Deus no Brasil (CGADB), e Arilton Moura, assessor de Assuntos Políticos da CGADB, não têm cargo público no ministério, mas participam de agendas com o ministro Milton Ribeiro frequentemente.

O grupo atuaria com a facilitação de acesso ao titular da pasta e direcionamento de recursos para políticas públicas. De acordo com o jornal, os dois trazem prefeitos a Brasília e também acompanham viagens de Milton Ribeiro, que também é pastor.

Na representação do MP, o subprocurador solicita que se verificação “se está ocorrendo influência indevida de lideranças evangélicas no sentido de pautar a agenda e as políticas públicas, em prejuízo aos aspectos técnicos que devem conduzir as decisões, bem assim à isonomia e aos direitos individuais daqueles que não comungam das mesmas crenças religiosas”.

Nos últimos 15 meses, Gilmar e Arilton teriam participado de 22 agendas oficiais do MEC, 19 com o ministro. Além disso, também fariam uso de aviões da Força Aérea Brasileira (FAB).

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