Na crise, Pazuello levou mais cloroquina do que kit intubação a Manaus

Levantamento do Ministério da Saúde mostra que foram enviados 120 mil comprimidos de hidroxicloroquina ao estado do Amazonas

atualizado 20/05/2021 12:14

ministro da saúde, eduardo pazuelloClaudio Reis/Especial para o Metrópoles

No ápice da crise do oxigênio em Manaus (AM), em janeiro deste ano, o Ministério da Saúde levou ao estado do Amazonas mais hidroxicloroquina do que medicamentos que compõem o chamado kit intubação.

Informações prestadas pelo próprio Ministério da Saúde revelam que a pasta entregou, em 14 de janeiro, 120 mil doses de hidroxicloroquina à Secretaria Estadual do Amazonas (Sesam). O fármaco não tem eficácia cientificamente comprovada contra a Covid-19.

Por outro lado, o governo enviou 40,5 mil unidades de midazolam, fentanila, propofol, suxametônio, rocurônio e atracúrio. Esses remédios são usados para intubar pacientes em unidades de terapia intensiva (UTIs).

Em Manaus, faltaram leitos, profissionais e até oxigênio hospitalar, com a alta de internações em decorrência da Covid-19.

Os dados constam em documento, a qual o Metrópoles teve acesso, da Procuradoria-Geral da República (PGR), enviado à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19, que apura ações e omissões do governo federal durante a pandemia do coronavírus.

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O envio do medicamento decorre de constatação formulada pelo então ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, em acordo com os secretários estaduais de Amazonas.

Em reunião realizada no dia 4 de janeiro, entre o Ministério da Saúde e autoridades do estado do Amazonas, foi identificada “deficiência na resolutividade da atenção primária, por não estarem utilizando as orientações de intervenção precoce para Covid-19, conforme orientações do MS”.

Pazuello também conclui haver “possibilidade iminente de colapso do sistema de saúde, em 10 dias, devido à falta de recursos humanos para o funcionamento dos novos leitos”.

O Ministério Público Federal (MPF) do Amazonas denunciou Pazuello, em abril deste ano, por improbidade administrativa. A procuradoria mostra que o ministro esperou a morte de pacientes com Covid-19 por falta de oxigênio para agir na crise sanitária.

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