Mulher diz que saldo foi de R$ 65 mil a R$ 0,58 após “Golpe do PIX”

Moradora de Luziânia, no Entorno do DF, foi ouvida nesta quinta-feira pela Polícia Civil. Número de estelionato virtual aumenta em Goiás

atualizado 28/05/2021 13:14

Reprodução

Goiânia – Uma servidora pública de 30 anos diz que o saldo da conta bancária dela passou de R$ 65 mil para R$ 0,58, depois de ter sido vítima do “Golpe do PIX”, novo modo de execução de estelionato. A Polícia Civil em Luziânia, no Entorno do Distrito Federal, ouviu  nesta quinta-feira (27/5) a vítima, que afirma ter se cadastrado no banco digital há menos de um mês e não imagina como o crime foi praticado.

Em entrevista ao Metrópoles, Viviane de Jesus Lustosa conta que, em 17 de maio, tentou acessar o aplicativo da conta dela no Banco Pan, mas não conseguiu. Apareceu um erro. “No dia seguinte, por volta de 8h30, a primeira coisa que eu fiz foi tentar acessar novamente o aplicativo e, quando acessei, verifiquei que o saldo na minha conta era de R$ 0,58”, diz.

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A mulher conta que estava juntando dinheiro para comprar uma casa, mas, ressalta, ficou aflita ao perceber que tinha sofrido o golpe. “Fiquei desesperada, sem chão, sem saber o que fazer”, afirma a servidora. “Quando abri o extrato, vi que tinham sido feitos vários PIXs para nomes de pessoas diferentes, que não conheço”, acrescenta.

Aflição

A servidora relata que, em seguida, entrou em contato com o banco, que pediu prazo de cinco dias úteis para dar um retorno à cliente. Depois de várias tentativas de diálogo, segundo a vítima, a instituição exigiu dela que enviasse o boletim de ocorrência para encaminhá-lo à ouvidoria. “Espero que seja ressarcida”, assevera.

O delegado titular do Grupo de Repressão a Crimes Patrimoniais (Gepatri) de Luziânia, Carlos Alfama, diz que o modo de operação do crime só inova a velha prática de estelionato virtual.

 “O mais provável é que seja a situação clássica de invasão de conta bancária por programa malicioso. A vítima deve ter clicado em algum link que baixou, no celular ou no computador, de algum programa malicioso, e os criminosos fizeram transferências e pagamentos por meio do PIX”, antecipa o delegado. “Muitas vezes, nesses casos, o criminoso mora em outro estado”.

A diferença do “Golpe do PIX” é o modo de execução do estelionato, segundo Alfama. “Neste caso, o pagamento foi feito pelo PIX. Normalmente, o criminoso usava cartão de crédito ou transferência de outra modalidade da conta bancária”, ressalta.

Cuidado

Para enganar as vítimas, conforme ressalta o delegado, o criminoso se profissionaliza cada vez mais, conforme a tecnologia avança. “O criminoso, normalmente, manda o link para a vítima, com a técnica de simular, dizendo que é para baixar um arquivo malicioso. A vítima clica no link, e o criminoso passa a ter acesso ao celular ou ao computador dela”, afirma.

A investigação, de acordo com Alfama, vai requisitar informações ao banco. Segundo ele, normalmente, as instituições bancárias fazem auditoria interna muito técnica e conseguem levantar dados sobre o equipamento utilizado para aplicação do golpe, para que a polícia chegue ao criminoso.

A vítima conta que só quer o seu dinheiro de volta. “A gente faz planos e acha que está com dinheiro em uma conta no banco seguro e, infelizmente, não é seguro, não está guardado como a gente pensa”, desabafa a vítima.

Em nota ao Metrópoles, o Banco PAN informa que lamenta os inconvenientes e esclarece que já concretizou uma solução definitiva em favor da cliente. A instituição disse estar à disposição em todos os seus canais de atendimento para quaisquer esclarecimentos adicionais.

Aumento de casos

Em Goiás, segundo a Polícia Civil, foram registradas mais ocorrências do “Golpe do PIX” neste mês. De acordo com os investigadores, a facilidade de realizar transações fez o serviço se tornor alvo dos estelionatários, por ser possível a transferência de dinheiro sem informações detalhadas.

Em Rio Verde, no sudoeste goiano, a polícia informa ter registrado sete denúncias de moradores que caíram no golpe do dia 11 a 21 de maio. Ao todo, conforme divulgado, o prejuízo passou de 100 mil.

Três vítimas relataram à polícia que tiveram as contas zeradas depois de receberem ligação de uma pessoa que se apresentava como funcionário do banco.

Um fazendeiro disse aos investigadores que foi vítima do golpe após receber mensagem de SMS informando que a transação bancária havia sido realizada. A corporação investiga como esses golpes ocorreram.

Os clientes de Rio Verde, vítimas do golpe, são correntistas da Caixa Econômica Federal. Segundo o banco, todas agências estão disponíveis para clientes realizarem contestações de transações e denúncias. As reclamações podem ser feitas pelo Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) no 0800 726 0101.

Procurado pelo Metrópoles, o Banco Central não informou se já monitora casos de estelionato realizado por meio do PIX nem informou a quantidade de registro de crimes dessa modalidade já notificados por instituições bancárias.

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