MPF vai à Justiça pedir que governo não comemore mais o golpe de 1964
O Ministério Público Federal pede ainda que envolvidos em celebração golpista em 2019 sejam condenados e obrigados a indenizar o Estado

O Ministério Público Federal (MPF) entrou com uma ação na Justiça para tentar proibir o governo federal de celebrar o golpe militar de 1964, que iniciou uma ditadura de duas décadas no Brasil, na qual direitos políticos foram cassados, vigorou a censura e dezenas de opositores foram assassinados sob tortura nos porões do regime.
A ação, assinada pelo procurador da República Pablo Coutinho Barreto, do MPF no DF, pede ainda que o governo de Jair Bolsonaro (PL) faça uma retificação de um vídeo comemorativo do golpe que foi divulgado em 2019 em canais oficiais. A União, o ex-servidor Floriano Barbosa de Amorim Neto, ex-secretário de Comunicação Social da Presidência, e Osmar Stábile, empresário que pagou pela produção do vídeo, também são cobrados a pagar, em conjunto, R$ 1,05 milhão como indenização pelo episódio.
O MPF pede ainda na ação (veja abaixo a íntegra do documento) que novas celebrações do golpe não ocorram e que a União instaure procedimento administrativo disciplinar contra agentes públicos que venham a promover publicações nesse sentido.

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Ver todasPara o procurador responsável pela ação, o material veiculado em 2019 era ofensivo e causou um dano com proporções nacionais, pois houve divulgação nos canais da Presidência, em diversos sites e foi citado também pela mídia. Ele argumenta que a tese de que a postagem se deu por um equívoco de um servidor público não se sustenta, “pois tal ato não é – e não pode ser – um ato tão simples e banal, uma vez que há autorização expressa do Secretário de Comunicação Social”.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesAções judiciais reclamam do vídeo de comemoração do golpe desde 2019, mas, no ano seguinte, o presidente Jair Bolsonaro voltou a falar, no dia 31 de março, do evento que depôs o governo democrático de João Goulart e deu início à ditadura militar no Brasil (1964-1985).
Na ocasião, na saída do Palácio da Alvorada, Bolsonaro interagiu com um apoiador que comentou a data. “Porra, é o dia da liberdade hoje”, respondeu o chefe do Executivo federal.
Vai e vem judicial
Em março do ano passado, O Tribunal Regional Federal da 5ª Região acatou recurso da Advocacia-Geral da União (AGU) para que o governo federal possa fazer atividades em alusão ao golpe militar de 1964. O julgamento teve placar de 4 a 1.
“O relator, desembargador federal Rogério Fialho Moreira, manteve o voto proferido na turma originária pelo desembargador federal convocado Luiz Bispo da Silva Neto, entendendo que a ordem do dia, como formulada, não ofende os postulados do Estado Democrático de Direito nem os valores constitucionais da separação dos Poderes ou da liberdade, de modo a ensejar a interferência do Judiciário em sede de ação popular”, informou o TRF-5 em nota, na época.
O tema entrou em pauta após a deputada Natália Bonavides (PT-RN) pedir, em ação popular, a retirada de nota no site do Ministério da Defesa, que reproduzia a Ordem do Dia de 31 de março, recomendação militar que celebrava o golpe.
Veja a íntegra da ação do MPF:
Pr Df Manifestacao 3292 2022 Tarjado 2 by Raphael Veleda on Scribd



