MPF denuncia advogado que chamou indígenas de "vagabundos"
Segundo a denúncia, advogado abordou lideranças indígenas em uma churrascaria da cidade e proferiu uma série de insultos

O Ministério Público Federal (MPF) denunciou à Justiça Federal o advogado que ofendeu um grupo de indígenas que almoçava em um restaurante de Santarém (PA), em agosto de 2022. William Martins Lopes é acusado de racismo, e o MPF pede que ele seja condenado ao pagamento de R$ 150 mil a título de danos morais coletivos.
Segundo a denúncia, ele abordou lideranças indígenas em uma churrascaria da cidade e proferiu uma série de insultos. O procurador da República no Pará Felipe Palha presenciou a cena e precisou intervir para evitar violência.
As vítimas estavam no local após terem participado do evento Confederação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), em parceria com a Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR). O advogado teria dito frases como “índio não gosta de trabalhar”, chamado eles de “vagabundos” e alegado estar armado.
Os indígenas deixaram o local, após o advogado se recusar a ir embora. Eles saíram novamente do hotel apenas para ir ao aeroporto, com medo de serem atacados por Lopes.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles
Receba no seu email as notícias de Boletim Metrópoles
Frequência de envio: Diário
Ver todasPara o MPF, o advogado excedeu os limites constitucionais da liberdade de expressão ao reproduzir estereótipos racistas contra toda uma etnia.
“Entende-se por discriminatória qualquer atitude ou tratamento dado à pessoa ou a grupos minoritários que cause constrangimento, humilhação, vergonha, medo ou exposição indevida, e que usualmente não se dispensaria a outros grupos em razão da cor, etnia, religião ou procedência”, explica o procurador da República Ricardo Negrini, que assina a denúncia.
Na avaliação do MPF, Lopes agiu por vontade livre, consciente e sem nenhuma provocação. A ação foi considerada como um episódio de racismo evidente e de discurso de ódio, que fere direitos fundamentais assegurados pela Constituição.
A denúncia ainda destaca que, durante a oitiva, o advogado disse ser um defensor das causas das minorias. No entanto, o MPF constatou um cenário diferente ao pesquisar o histórico do acusado, inclusive com reiteradas acusações de sua atuação em favor de grupos antagônicos às populações tradicionais.
Para o MPF, a conduta de Lopes incidiu em três núcleos: ao ofender os indígenas e fazê-lo em ambiente público; ao induzir pessoas à discriminação contra esse povo tradicional; e ao incitar e reforçar o sentimento de discriminação contra indígenas nas outras pessoas.



