MP investiga morte de jovem que invadiu recinto de leoa em zoo da PB

O jovem tinha transtornos mentais não tratados, pulou uma parede de 6 metros e passou pelas grades de segurança do zoológico

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Reprodução/PMPB
Foto colorida de Gerson de Melo Machado, de 19 anos, conhecido como Vaqueirinho - Metrópoles
1 de 1 Foto colorida de Gerson de Melo Machado, de 19 anos, conhecido como Vaqueirinho - Metrópoles - Foto: Reprodução/PMPB

O Ministério Público da Paraíba (MPPB) instaurou um procedimento para investigar a morte de Gerson de Melo Machado, de 19 anos, que morreu após invadir o recinto de uma leoa no Parque da Bica, em João Pessoa. A pasta comunicou, nessa segunda-feira (1º/12), que vai apurar as medidas adotadas por órgãos competentes relacionadas ao caso.

O jovem tinha transtornos mentais não tratados, pulou uma parede de 6 metros e passou pelas grades de segurança do zoológico com o auxílio de uma árvore, até invadir o recinto da leoa.

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Leoa que atacou o jovem em João Pessoa
Gerson de Melo Machado, o Vaqueirinho, morto por uma leoa em João Pessoa, após invadir a jaula do animal
Conselheira tutelar Verônica Oliveira ao lado de Gerson de Melo Machado, conhecido como Vaqueirinho
Veterinária mostra interação dócil com leoa que matou homem em zoológico
Homem invade jaula e é morto por leoa em João Pessoa
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Homem invade jaula e é morto por leoa em João Pessoa

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Leoa que atacou o jovem em João Pessoa
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Leoa que atacou o jovem em João Pessoa

Material cedido ao Metrópoles
Gerson de Melo Machado, o Vaqueirinho, morto por uma leoa em João Pessoa, após invadir a jaula do animal
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Gerson de Melo Machado, o Vaqueirinho, morto por uma leoa em João Pessoa, após invadir a jaula do animal

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Conselheira tutelar Verônica Oliveira ao lado de Gerson de Melo Machado, conhecido como Vaqueirinho
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Conselheira tutelar Verônica Oliveira ao lado de Gerson de Melo Machado, conhecido como Vaqueirinho

Arquivo pessoal/ Material cedido ao Metrópoles
Veterinária mostra interação dócil com leoa que matou homem em zoológico
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Veterinária mostra interação dócil com leoa que matou homem em zoológico

Reprodução/melleite.vet

O laudo inicial, feito pelo Instituto Médico-Legal (IML), informa que a causa da morte foi choque hemorrágico após o perfuramento de vasos cervicais, após a leoa morder o pescoço dele ao se sentir ameaçada com a presença de um humano no recinto e atacar para se proteger.

“Para instaurar o procedimento, o promotor de Justiça levou em consideração o dever do Ministério Público de zelar pela efetividade das políticas públicas ambientais, pelo bem-estar da fauna e pelo cumprimento das normas de segurança e manejo previstas na legislação ambiental”, informou o MPPB.

Além disso, o Ministério Público determinou que a “Secretaria Municipal de Meio Ambiente seja oficiada para informar, no prazo de 15 dias, quais providências foram adotadas após o ocorrido, especificando eventuais procedimentos administrativos, vistorias, avaliações técnicas ou medidas de reforço de segurança relacionadas ao Parque Arruda Câmara”.


O que aconteceu

  • Um rapaz, identificado como Gerson de Melo Machado, de 19 anos, morreu após invadir a jaula de uma leoa em João Pessoa, na Paraíba.
  • Imagens que circulam nas redes sociais registram o momento da invasão. No vídeo, é possível observar o homem escalando uma estrutura lateral da jaula.
  • Ele utiliza o tronco de uma árvore localizada dentro do recinto como apoio para, finalmente, entrar no espaço onde a leoa estava
  • Após invadir o local e se pendurar na árvore, ele é atacado pelo animal.
  • Gerson apresentava transtornos mentais e acumulava 16 passagens na polícia, principalmente por dano e pequenos furtos.

Ao determinar o prazo de 15 dias, o MPPB quer apurar se as circunstâncias legais quanto às medidas de segurança do zoológico foram seguidas.

Pode investigar também a não internação de Gerson, que, segundo delegados, apresentava evidentes sinais de transtornos mentais. A investigação se deu após a repercussão social e ambiental do fato, que, conforme o MP, há a necessidade de avaliar, sob a perspectiva da tutela coletiva, as providências adotadas pelo poder público municipal no que diz respeito ao manejo da fauna sob sua guarda.

O Parque da Bica deve esclarecer , no mesmo prazo de 15 dias, as providências adotas com a tragédia, além de responder sobre o manejo e a proteção da leoa. O MPPB quer investigar: se há observação integral ao recinto e à fauna silvestre em cativeiro; se a leoa foi submetida a exames médicos antes e após o incidente; e quais medidas de manejo, bem-estar e enriquecimento ambiental foram adotadas ou reforçadas após o fato.

“Estamos atentos e vigilantes para o caso, devendo dizer que outras medidas podem ser tomadas no futuro, caso o Ministério Público entenda necessárias, notadamente aquelas que digam respeito à segurança do próprio animal e da população que frequenta o ambiente”, afirmou o promotor Edmilson de Campos Leite Filho.

Abandono familiar

A morte de Gerson expôs uma trajetória marcada por pobreza extrema, transtornos mentais não tratados e abandono familiar. Segundo a conselheira tutelar Verônica Oliveira, que acompanhou o jovem por oito anos, Gerson cresceu sem apoio e em condições severas.

A primeira vez que Verônica o encontrou, Gerson tinha 10 anos e foi levado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) ao Conselho Tutelar depois de ser visto caminhando sozinho em uma rodovia. Desde então, passou a integrar a rede de proteção da infância. Diante disso, MPPB concluiu o comunicado informando que cobrará o poder público por atenção psicossocial.

“O MPPB também vem atuando para cobrar do poder público a estruturação e o fortalecimento da Rede de Atenção Psicossocial no município de João Pessoa e no Estado da Paraíba, com destaque para a implementação de serviços, como as Residências Terapêuticas para pessoas com transtornos mentais graves que não têm suporte social ou familiar. O objetivo é garantir a dignidade dessas pessoas e assegurar a elas o direito ao atendimento profissional qualificado, humanizado e multiprofissional no SUS”, informou.

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