MP investiga irmãs que teriam furado fila da vacina em Manaus

Médicas recém-formadas, as irmãs Gabrielle e Isabelle Lins são filhas de reitora de faculdade e foram nomeadas nesta semana

atualizado 20/01/2021 22:25

Reprodução/Redes Sociais

Enviado especial a Manaus – O Ministério Público do Amazonas (MPAM) vai investigar duas irmãs que foram nomeadas, recentemente, pela Prefeitura de Manaus (AM) para, segundo alegações, receberem a vacina contra o novo coronavírus de forma antecipada.

As médicas Gabrielle e Isabelle Kirk Maddy Lins receberam a primeira dose da vacina nessa terça-feira (19/1), na Unidade Básica de Saúde (UBS). As irmãs postaram registros da aplicação do imunizante em uma rede social.

As irmãs foram nomeadas, respectivamente, nessa segunda (18/1) e terça-feira (19/1) como gerente de projetos na Secretaria de Saúde. As nomeações foram assinadas pelo prefeito de Manaus, David Almeida (Avante).

Gabrielle e Isabelle são filhas de Gisélle Vilela Lins Maranhão, reitora da Universidade Nilton Lins, que fica ao lado da UBS Nilton Lins, onde as jovens trabalham. A unidade de saúde foi inaugurada no último dia 12 de janeiro – e o nome da unidade homenageia o pai das jovens.

Ambas são recém-formadas. Gabrielle se inscreveu no Conselho Regional de Medicina do Amazonas (CRM-AM) em 21 de maio do ano passado. Já Isabelle foi regularizada cerca de sete meses depois, em 22 de dezembro de 2020.

A vacinação no Amazonas se iniciou na noite dessa segunda-feira (20/1), em um ato simbólico, após a chegada de 256 mil doses da Coronavac, a vacina produzida pelo Instituto Butantan em parceria com a chinesa Sinovac.

Em um primeiro momento, serão vacinados profissionais de saúde, idosos que residem em instituições de longa permanência (asilos, por exemplo), indígenas aldeados e pessoas com deficiência.

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“O Ministério Público já está investigando essa situação de vacinação em grupos que não são prioritários, mesmo se tratando de profissionais de saúde”, assinalou a procuradora de Justiça Silvana Nobre Cabral, do MPAM, em comunicado.

Na noite dessa terça-feira, órgãos de controle se reuniram com a prefeitura de Manaus e expediram a recomendação para que a Secretaria de Saúde da capital observe, em razão da escassez do imunizante, as pessoas que serão vacinadas.

“Não podemos deixar que grupos prioritários e pessoas com comorbidades que estão à frente de todo esse trabalho com Covid sejam substituídos por outros grupos que têm condições de enfrentar esse trabalho contra a Covid com menos riscos.”

Na noite dessa terça, David Almeida anunciou a publicação de uma portaria que proíbe a divulgação de registros fotográficos da vacinação. “Você que se vacinou, fique para você”, disse o prefeito, em vídeo publicado nas redes sociais.

Procurada, a prefeitura manauara ressaltou que um grupo de 10 médicos foi convidado para ajudar a Secretaria de Saúde, no Grupo de Trabalho para execução do plano emergencial de enfrentamento à Covid-19, em razão da transição de governo municipal.

Segundo o Executivo, mais de 120 médicos do programa municipal de atenção básica foram afastados das atividades, por conta da contaminação nesse novo pico.

“Todos os novos médicos, entre eles as médicas citadas, começaram a atuar entre os dias 4 e 5 de janeiro em UBSs de atendimento exclusivo de casos suspeitos de Covid-19 e no dia 12 de janeiro alguns deles passaram a atender na expansão da unidade Nilton Lins”, explicou.

“As nomeações dos médicos desse grupo aconteceram somente no dia 18 de janeiro, por conta do alto volume de atos de nomeação, que naturalmente ocorrem no começo das novas gestões municipais”, prosseguiu a assessoria de imprensa, em nota.

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