MP denuncia PM e mais dois por morte de família desaparecida no RS
Investigação em torno da família desaparecida começou em 24/1, após vítima sumir e deixar uma das pistas sobre o crime no Instagram

O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) apontou três pessoas como responsáveis pelas mortes de Silvana de Aguiar, de 48 anos, Dalmira Germann de Aguiar, de 70, e Isail Vieira de Aguiar, de 69.
A família Aguiar desapareceu em Cachoeirinha (RS) no fim de janeiro e, até o momento, os corpos não foram localizados.
A acusação do MPRS foi formulada em denúncia e apresentada à Justiça nesta segunda (4/5).
De acordo com o MPRS, o policial militar Cristiano Domingues, a atual companheira dele e o irmão foram denunciados. Cristiano é ex-marido de Silvana e permanece preso por suspeita de feminicídio.
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Ver todasO crime é considerado premeditado pelo MPRS. De acordo com o Ministério Público, foi motivado por contexto de “violência doméstica e familiar”.
O policial militar notificou o desaparecimento de Silvana em 24 de janeiro. Após ela sumir, Cristiano assumiu o controle do celular da ex-esposa, se passou por Silvana e atraiu os pais para casa da filha. Dias depois, Dalmira e Isail também desapareceram.
O trio foi denunciado por dois feminicídios, um homicídio qualificado, além de três crimes de ocultação de cadáver, fraude processual, associação criminosa e outros delitos conexos, entre eles, furto.
“O promotor também requereu a fixação de valor mínimo para reparação dos danos, bem como, em relação ao principal denunciado – policial militar atualmente preso –, a perda do cargo público e a incapacidade para o exercício do poder familiar. Familiares das vítimas estão recebendo atendimento e acolhimento”, informou o órgão, em nota.
Ainda conforme o MPRS, os crimes, cometidos de forma coordenada, foram feitos para assegurar a impunidade dos atos anteriores, como ocultação de cadáver e “reiteradas manobras” para dificultar a atuação da polícia e do Poder Judiciário.
IA ajudou no planejamento da emboscada
A investigação em torno da família Aguiar começou em 24 de janeiro, após Silvana desaparecer e deixar uma das únicas pistas sobre o sumiço no Instagram.
Na rede social, ela fez uma postagem afirmando que havia sofrido um acidente de trânsito, quando voltava de Gramado, município da Serra Gaúcha.

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Ver todasSegundo a Polícia Civil do Rio Grande do Sul (PCRS), o acidente, publicado no Instagram de Silvana, foi forjado. Conforme a investigação, Silvana não viajou para Gramado e o post foi feito por outra pessoa, no caso, seu ex-marido, Cristiano, quando ela já estava desaparecida.
Um dia após Silvana sumir, Cristiano usou o celular dela e gerou a voz da ex-esposa com IA para enviar um áudio aos pais, dizendo que estava tudo bem, apesar de ter sofrido um suposto acidente.
No som manipulado, a voz de Silvana diz que precisava de ajuda em casa com um problema de energia, o que funcionou para atrair os pais de Silvana à armadilha.
Após irem à residência da filha, Dalmira e Isail não foram mais vistos. O mercado de Cachoeirinha, do qual eram proprietários, segue fechado desde 25 de janeiro, data na qual os pais de Silvana foram vítimas da emboscada.
Até o momento, o inquérito tem seis prisões, 14 mandados de busca e apreensão cumpridos, além de representações por quebra de sigilo de dados (telefônicos, telemáticos ou bancários). No total, durante o inquérito, foram ouvidas 34 testemunhas.



