Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Brasil

Mourão usa "geopolítica da vacina" para justificar atraso no início da imunização

O vice-presidente também alegou que a velocidade da vacinação no mundo está muito lenta, mas admitiu ser necessário que o Brasil avance

20/01/2021 15:42, atualizado 20/01/2021 16:42
Adnilton Farias / VPR
Mourão usa “geopolítica da vacina” para justificar atraso no início da imunização

Em uma tentativa de minimizar o atraso do início da vacinação contra a Covid-19 no Brasil, o vice-presidente da República, Hamilton Mourão (PRTB), afirmou na tarde desta quarta-feira (20/1) que  “a geopolítica da vacina” justifica a demora no começo da vacinação no Brasil. “Olha, temos que compreender a geopolítica da vacina. Se vocês acompanharem a velocidade de vacinação no mundo, ela tá muito lenta”, amenizou o vice-presidente.

“Dados de ontem, que eu consegui colher: os Estados Unidos estavam na frente, com 12 milhões e alguma coisa de pessoas vacinadas, isso não dá 5% da população americana. A maioria dos países europeus: 500, 400 mil pessoas vacinadas. O que eu quero dizer com isso? Existe uma corrida para a vacina!”, prosseguiu Mourão.

Como justificativa para o atraso do Brasil, o vice-líder sugeriu que os maiores produtores dos insumos para a fabricação da vacina – o Ingrediente Farmacêutico Ativo – não conseguem suprir a si próprios e, ao mesmo tempo, exportar. “Essas vacinas usam os insumos farmacêuticos ativos, os IFAs, que são produzidos na maior parte em dois países, Índia e China, cuja população dá quase 1/3 da mundial. Com isso, eles têm os interesses geopolíticos deles, obviamente, a esse respeito.”

Para Mourão, a resolução do entrave depende de diplomacia.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles

“Vamos ter que usar as armas da diplomacia. No nosso caso, não temos contrato direto, com exceção dessas 2 milhões de doses da China, que são da AstraZeneca – o contrato é com as empresas, elas têm que fazer seu esforço para que as áreas produtoras de insumos entreguem isso aí –, mas ao mesmo tempo, nós vamos procurar, usando a diplomacia e o relacionamento. Hoje o assunto está na mão do Ministério das Relações Exteriores para que se consiga que tanto a Índia quanto o governo da China acelerem um pouco a produção nas suas fábricas de insumos.”

Mourão usa “geopolítica da vacina” para justificar atraso no início da imunização - destaque galeria
7 imagens
Mourão, em visita ao Acre
Vice-presidente, general Mourão, passeando de bicicleta, próximo ao Palácio da Alvorada
Bolsonaro e Mourão em solenidade no Planalto
Vice-presidente Hamilton Mourão em evento no STF
Mourão ao lado de militares da ativa e da reserva
Vice-presidente da República, Hamilton Mourão (PRTB)
1 de 7

Vice-presidente da República, Hamilton Mourão (PRTB)

arte: metrópoles
Mourão, em visita ao Acre
2 de 7

Mourão, em visita ao Acre

Vice-presidente, general Mourão, passeando de bicicleta, próximo ao Palácio da Alvorada
3 de 7

Vice-presidente, general Mourão, passeando de bicicleta, próximo ao Palácio da Alvorada

Hugo Barreto/Metrópoles
Bolsonaro e Mourão em solenidade no Planalto
4 de 7

Bolsonaro e Mourão em solenidade no Planalto

Andre Borges/Esp. Metrópoles
Vice-presidente Hamilton Mourão em evento no STF
5 de 7

Vice-presidente Hamilton Mourão em evento no STF

Rafaela Felicciano/Metrópoles
Mourão ao lado de militares da ativa e da reserva
6 de 7

Mourão ao lado de militares da ativa e da reserva

FEPESIL/THENEWS2/ESTADÃO CONTEÚDO
O vice-presidente, general Mourão, recebe a mais alta patente da maçonaria
7 de 7

O vice-presidente, general Mourão, recebe a mais alta patente da maçonaria

Divulgação

Receba no seu email as notícias de Boletim Metrópoles

Frequência de envio: Diário

Ver todas as newsletters
Movimentações diplomáticas

Em uma entrevista ao jornal Valor, nessa terça-feira (19/1), o vice-presidente sugeriu que a vacinação na China também está lenta. “Só 0,5% da população mundial foi vacinada. E a China só vacinou 10 milhões de pessoas. Para um país de 1,4 bilhão de habitantes, é muito pouco.”

De acordo com o general, há uma movimentação diplomática do Brasil com China e Índia para que ocorra maior produção nas fábricas de insumos, de forma que o quantitativo contemple a população desses países e também o Brasil. Na terça-feira, Mourão disse ao jornal Valor que, se a inciativa do MRE fracassar, telefonaria para o vice-presidente chinês, Wang Qishan, para buscar uma solução.

“A sinalização está sendo feita. O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, enviou uma carta para o ministro das Relações Exteriores da China, isso foi feito via embaixada brasileira na China. E de acordo com os dados que eu sei, há um movimento, não vou falar de simpatia, mas um movimento positivo para que as conversações avancem.”

Mourão usa "geopolítica da vacina" para justificar atraso no início da imunização