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Brasil

Motta vota PL da 6x1 nesta terça e empurra debate para Alcolumbre

Em abril, Lula enviou ao Congresso um PL com teor semelhante ao da PEC do fim da escala 6x1, aprovada pela Câmara em 27 de maio

16/06/2026 02:00
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BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto
Motta vota PL da 6×1 nesta terça e empurra debate para Alcolumbre

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), pautou para votação nesta terça-feira (16/6) o projeto de lei enviado pelo governo que prevê o fim da escala 6×1, modelo em que o trabalhador atua por seis dias consecutivos e tem um dia de descanso.

Em abril, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enviou ao Congresso um projeto de lei próprio para acabar com a escala 6×1, em uma tentativa de acelerar a discussão sobre a redução da jornada de trabalho. A proposta foi encaminhada com urgência constitucional, mecanismo que estabelece prazo de 45 dias para análise em cada uma das Casas Legislativas: Câmara e Senado.

Apesar da iniciativa do Planalto, Motta optou por priorizar a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) sobre o tema, que já estava em análise na Casa. Nos bastidores, a avaliação era de que avançar com a proposta de emenda à Constituição garantiria maior protagonismo político à Câmara em uma pauta de forte apelo popular.

A PEC que prevê o fim da escala 6×1 foi aprovada pelo plenário em 27 de maio.

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Presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) é pressionado a avançar com propostas sobre o fim da escala 6x1 em meio a atritos recentes com o governo Lula
Presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB)
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Presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB)

VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto
Presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) é pressionado a avançar com propostas sobre o fim da escala 6x1 em meio a atritos recentes com o governo Lula
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Presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) é pressionado a avançar com propostas sobre o fim da escala 6x1 em meio a atritos recentes com o governo Lula

Breno Esaki/Metrópoles

Enquanto a PEC avançava, o projeto enviado pelo governo seguiu sem votação. O prazo de 45 dias previsto na urgência constitucional expirou em 30 de maio, o que fez com que a proposta passasse a trancar a pauta da Câmara. Na prática, a Casa fica impedida de votar qualquer outra proposta até que o texto seja apreciado.

Agora, Motta pautará justamente o projeto de lei do governo, que tem conteúdo igual ao da PEC. Na semana passada, o parlamentar anunciou o deputado Leo Prates (Republicanos-BA) como relator do texto, o mesmo da proposta de emenda à Constituição. A movimentação é vista por parlamentares como uma forma de destravar a pauta da Câmara e, ao mesmo tempo, transferir a pressão política para o Senado.

Motta convocou uma reunião de líderes às 14h desta terça, horas antes da votação do texto, com a participação de Prates. O presidente da Câmara afirmou que o relator deverá esclarecer quais pontos serão incluídos no PL, mesmo após os deputados já terem aprovado a PEC sobre o tema.

Caso a proposta seja aprovada pelos deputados, caberá ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), definir os próximos passos da tramitação. O senador já vem sendo pressionado por centrais sindicais e por parlamentares a pautar a PEC que trata do tema.

Alcolumbre, no entanto, tem evitado avançar com a proposta. Segundo relatos de líderes do Congresso, a resistência está ligada ao desgaste na relação com o governo, que começou após a rejeição da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).

A tensão voltou a crescer nesta semana, quando o Senado, sob comando de Alcolumbre, avançou com uma série de propostas de elevado impacto fiscal, contrariando apelos do ministro da Fazenda, Dario Durigan, para segurar as votações. Nos bastidores, parlamentares veem a demora em pautar a PEC do fim da escala 6×1 como mais um capítulo desse embate entre o presidente do Senado e o Palácio do Planalto.


Relembre o imbróglio

  • Governo Lula enviou em abril um projeto de lei para acabar com a escala 6×1 com urgência constitucional. O prazo venceu em 30 de maio e o texto passou a trancar a pauta da Câmara;
  • Hugo Motta deve pautar o projeto nesta terça-feira (16), após priorizar a PEC sobre o tema. Nos bastidores, a decisão é vista como uma forma de transferir a pressão para o Senado;
  • Davi Alcolumbre resiste a pautar a PEC em meio ao desgaste com o Planalto, iniciado após a rejeição de Jorge Messias ao STF e agravado nesta semana pelo avanço de pautas de alto impacto fiscal no Senado.

O Metrópoles apurou que, se o projeto de lei aprovado pela Câmara chegar ao Senado, a tendência é que Alcolumbre encaminhe a proposta para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). O mesmo deve ser feito com a PEC do fim da escala 6×1.

A movimentação representa uma mudança de postura do presidente do Senado, que vinha defendendo o envio da PEC para uma comissão especial — um caminho incomum para esse tipo de proposta e visto por parlamentares como uma forma de retardar sua tramitação.

Diante da pressão crescente sobre o tema e da chegada de um projeto com conteúdo semelhante aprovado pela Câmara, a avaliação no Congresso é que Alcolumbre deve acabar cedendo e adotar o rito tradicional na CCJ.

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