Motoboy acusa PMs por invasão e roubo de TV e ganha aparelho novo
Dinheiro para comprar televisão chegou por doações; o jovem conseguiu R$ 3 mil, mas tem medo de voltar para casa após denúncia de invasão

Rio de Janeiro – “A polícia que patrulha o morro não é a mesma que serve e ajuda o morador da zona sul a atravessar a rua”. O desabafo é do motoboy Carlos Alberto da Conceição, 26 anos, nascido e criado no Morro do Dezoito, em Água Santa, na zona norte do Rio, que acusa policiais militares de terem invadido sua casa, no alto da favela, e roubado sua televisão.
Em um “vídeo cheio de ódio“, o motoboy mostrou o endereço revirado e, aos prantos, questionou a ação dos militares, que , segundo ele, mexeram em toda a residência, espalhando pertences pelo imóvel. “É isso que um cidadão de bem tem que passar? Meus documentos estão aqui, não tenho passagem pela polícia e sou um trabalhador de bem. Eu tenho dignidade e não aceito passar por isso. Estou com ódio”, disse no vídeo. Assista:
https://youtu.be/tjubVCGMwIM
“Aí a minha casinha, humilde. Os polícia bagunçaram minha casa toda, levaram minha televisão que estava aqui em casa. Eu trabalhando, os caras vêm e leva minha televisão”, completou Carlos, que é pai de uma menina e vem recebendo doações para repor o aparelho. “Já consegui R$ 3 mil, já tenho o dinheiro. Mas ainda não consegui ir comprar”, comemora.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesCarlos ainda não registrou boletim de ocorrência e está seguindo as orientações de um advogado. O motoboy também contou, em entrevista ao Metrópoles, que não sabe se voltará a morar no espaço invadido, uma vez que é o último do alto da favela e o jovem tem medo de represálias por parte dos policiais.

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Ver todas“A casa foi uma herança de família, meus pais passaram para mim. Está com mofo, com alguns problemas e, por isso, eu estava fora, com a casa fechada para fazer os reparos. Agora, estou com medo de voltar para lá. Quem vai me proteger? O policial quando entra na favela, entra de máscara ninja, para não ser identificado. É muito difícil viver assim”, lamenta Carlos.
Resposta da PM
Em nota, a PM informa que a ação teve por objetivo reprimir ações criminosas, tais como roubos de veículos e de cargas na região, e que as equipes recuperaram três automóveis roubados que foram levados por criminosos para a parte alta da comunidade.
“Até o momento, não há registro formal sobre a denúncia relatada. Cabe ressaltar que a corporação está de portas abertas para receber qualquer tipo de denúncia por suposto desvio de conduta de policiais, e verificar a veracidade dos relatos com isenção, através de seus canais oficiais”, diz o texto.
A entidade também ressalta que a ouvidoria da PM recebe reclamações, solicitações, sugestões e denúncias, entre outras demandas, por meio de seus canais oficiais: o telefone (21) 2334-6045 ou e-mail ouvidoria_controladoria@pmerj.







