Moral cristã e pauta transgênero entram em conflito na Câmara de São Paulo

Erika Hilton (PSol) e Sonaira Fernandes (Republicanos) antagonizam com discursos em plenária no Legislativo municipal

atualizado 08/02/2021 12:06

Reprodução/Metrópoles/Fábio Viera

São Paulo – Erika Hilton (PSol) usou seu espaço na tribuna da Câmara Municipal de São Paulo nesta quarta-feira (3/2) para responder discurso da vereadora Sonaira Fernandes (Republicanos).

Na primeira sessão de 2021, Fernandes declarou que que há “uma agenda globalista que pretende feminilizar o homem e masculinizar a mulher”. Também afirmou que há atualmente “uma geração covarde e capada” e que Jesus de Nazaré seria o modelo ideal de masculinidade.

Segundo Erika Hilton, as declarações de Sonaira Fernandes são “vergonhosas, transfóbicas, surfam na miséria humana” e demonstram “desequilíbrio ao tentar citar Jesus de Nazaré em contraponto às identidade de gênero de pessoas trans”.

“O melhor exemplo de Jesus de Nazaré é o exemplo do padre Julio Lancellotti em pegar o martelo para destruir essa política nefasta contra as populações mais pobres”, disse Erika Hilton, em referência ao ato do padre da Pastoral do Povo de Rua na terça-feira (2/2).

“Essa Casa tem que aceitar que haverá homens trans e travestis e não vamos nos intimidar com esse discurso de ódio. Não aceitaremos que uma pessoa seja usada para legitimar discurso de ódio e transfóbico”, declarou Erika Hilton, fazendo referência ao fato de que Sonaira Fernandes é uma mulher negra e periférica.

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“Colonizadores de pensamento”

Sonaira Fernandes respondeu Hilton em seguida. “Nós não vamos nos calar diante dos colonizadores de pensamento. Não permitiremos que essa ideologia obscura extermine os princípios cristãos. Não me curvarei diante de um movimento que quer desagregar famílias e acelerar a libertinagem sexual”.

Enquanto Erika Hilton pediu respeito à sua identidade de gênero, Sonaira Fernandes pediu respeito às suas convicções religiosas.

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Quem são as parlamentares

Sonaira é uma mulher negra, ativista religiosa, bolsonarista e já foi funcionária de gabinete de Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), o filho “03” do presidente. Foi uma das únicas parlamentares eleitas que, quando candidata, teve apoio direto do presidente Jair Bolsonaro.

Erika Hilton é uma mulher trans negra, ativista do movimento LGBT e que já foi co-deputada da Bancada Ativista do PSol na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). Foi a vereadora mulher mais votada das eleições de 2020.

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