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Moraes: Torres usou o cargo de ministro para “desvirtuar” eleições

Anderson Torres teria usado cargo de ministro da Justiça para ordenar que PRF tentasse impedir eleitores de chegarem até as urnas

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Segundo o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), o réu e ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Anderson Torres usou o cargo para “desvirtuar” a realidade das eleições presidenciais de 2022.

“Em 30 de outubro [de 2022], no segundo turno das eleições, onde o Ministério da Justiça, sob coordenação do réu Anderson Torres, prepara toda uma operação para que a Polícia Rodoviária Federal impedisse ou tentasse impedir alguns eleitores e eleitoras de chegarem até as urnas. Então, aqui, o réu Anderson Torres utilizou da sua condição de ministro da Justiça e Segurança para desvirtuar a realidade”, afirma Moraes.

Acompanhe o julgamento:

O argumento faz parte da sustentação da existência de 13 atos que, segundo o magistrado, demonstram a “ação da organização criminosa para alcançar seus objetivos”, no caso, o golpe de Estado.

Os 13 momentos da tentativa de golpe elencados por Moraes são:

  1. Utilização de órgão públicos para o monitoramento de adversários políticos e a execução da estratégia de atentar contra o Poder Judiciário, desacreditando a Justiça eleitoral, o resultado das eleições de 2022 e própria Democracia.
  2. Atos executórios públicos com graves ameaças à Justiça Eleitoral: live do dia 29 de julho de 2021, entrevista de 3 de agosto de 2021 e live de 4 de agosto de 2021 com graves ameaças à Justiça Eleitoral.
  3. Tentativa, com emprego de grave ameaça, de restringir o exercício do Poder Judiciário, em 7 de setembro de 2021
  4. Reunião ministerial de 5 de julho de 2022
  5. Reunião com embaixadores em 18 de julho de 2022
  6. Utilização indevida da estrutura da Polícia Rodoviária federal no segundo turno das eleições de 2022
  7. Utilização indevida da estrutura das forças armadas: relatório de fiscalização do sistema eletrônico de Votação do Ministério da Defesa.
  8. Atos executórios após o segundo turno das eleições: live realizada em 4 de novembro de 2022, ações de monitoramento de autoridades em 21 de novembro de 2022, representação eleitoral para verificação extraordinária, reunião dos “kids pretos” em 28 de novembro de 2022 e elaboração da Carta ao Comandante
  9. Planejamento Punhal Verde e Amarelo e Operação Copa 2022
  10. Atos executórios seguintes ao planejamento do Punhal Verde e Amarelo: monitoramento do presidente eleito, Operação Luneta, Operação 142 e Discurso pós-golpe
  11. A minuta do golpe de Estado e apresentação aos comandantes das Forças Armadas
  12. A tentativa de golpe de Estado em 8 de janeiro de 2023
  13. Planejamento de criação do Gabinete de Crise após a consumação do Golpe de Estado

Moraes é o primeiro dos cinco ministros da Turma a proferir seu voto. O relator aponta as condutas de cada réu, individualmente. Em seguida, será a vez de ministro Flávio Dino. A expectativa é que esses dois votos encerrem a terça-feira de julgamento.

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Alexandre de Moraes durante julgamento

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O ministro Luiz Fux deve votar somente na quarta-feira (10/9). Nesse dia, o julgamento começa também às 9h (mas encerra-se às 12h). O Metrópoles apurou que a chance de haver pedido de vista na ação penal é remota, especialmente por parte do ministro Luiz Fux que, em outras ocasiões, divergiu de Moraes em pontos do processo — sobretudo em relação às versões da delação de Mauro Cid, foco central das defesas nos últimos dois dias. E ainda sobre a competência da Turma para julgar o caso.


Crimes imputados pela PGR e analisados pelos ministros:

  • Organização criminosa armada.
  • Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
  • Golpe de Estado.
  • Dano qualificado pela violência e grave ameaça contra o patrimônio da União, com considerável prejuízo para a vítima (com exceção de Ramagem).
  • Deterioração de patrimônio tombado (com exceção de Ramagem).
  • Os crimes atribuídos a Alexandre Ramagem — deterioração de patrimônio tombado e dano qualificado — foram suspensos por terem ocorrido após a diplomação, atendendo parcialmente ao pedido da Câmara dos Deputados.

Fux deve tomar boa parte da quarta-feira (10/9) para proferir seu voto, que deve divergir de Moraes, principalmente do que diz respeito às penas impostas para cada crime confirmado.

Em seguida, votam Cármen Lúcia e Cristiano Zanin. Os dois ministros terão os dias 11 e 12, das 9h às 19h, para votar. Quando todos os ministros concluírem suas considerações sobre preliminares e mérito, será feita a dosimetria da pena, uma espécie de ajuste dos votos de cada ministro para saber qual será a imputação a cada réu.

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