Moradores denunciam violência da PM durante ação de despejo em Goiânia

Policiais atiraram bombas de feito moral, usaram sprays de pimenta e queimaram as barracas utilizadas como abrigo

atualizado 20/06/2021 15:17

goias ação de despejo goianiaReprodução

Goiânia – Uma ação de despejo desabrigou mais de 100 pessoas no Setor Estrela Dalva, na região Noroeste de Goiânia, na noite desse sábado (19/6). Segundo os moradores, a Polícia Militar (PMGO) esteve no local e agiu de forma truculenta durante a remoção das famílias, com uso de bombas de efeito moral e sprays de pimenta, além de incendiarem as barracas utilizadas como abrigo.

Veja o vídeo:

As famílias, que alegaram que sairiam do local de forma pacífica, denunciam ainda que os policiais não aguardaram a organização das pessoas, para que pegassem os seus pertences. Segundo os moradores, uma criança desmaiou e um idoso ficou ferido durante o despejo, mas nenhum deles recebeu atendimento. Após a ação, membros da ocupação ficaram sem ter onde passar a noite. Como as barracas usadas pelos ocupantes foram queimadas, algumas famílias fizeram uma fogueira para se esquentar do frio.

Na manhã deste domingo (20/6), os policiais voltaram ao local e usaram gás lacrimogêneo, novamente, para afastar os ocupantes do lugar. A líder do movimento, Cinthia Nicassia, foi detida. Segundo o advogado Vitor Sousa de Albuquerque, a mulher foi acusada de invadir terras do município e poderá cumprir pena de 6 meses a 3 anos de prisão. Para ser liberada, ela deve pagar fiança.

De acordo com a prefeitura, a área onde ocorria a ocupação é privada e a gestão municipal não tem ligação com a ação de despejo. A Secretaria de Desenvolvimento Humano e Social informou que está se deslocando para o local para dar proteção social básica às famílias abrigadas ali. “Reiteramos também que as equipes de abordagem e acolhimento estão atentos e acompanhando o caso, para solucionar o acolhimento das famílias caso surja despejo, o que não aconteceu, ainda”, diz trecho de nota enviada ao portal Mais Goiás.

O Metrópoles entrou em contato com a assessoria de imprensa da prefeitura de Goiânia e da Polícia Militar, mas até o fechamento desta matéria não recebeu retorno. O espaço segue aberto para manifestação.

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