Ministro do Trabalho defende escala 5x2 e 40 horas semanais
Em audiência na Câmara, Luiz Marinho disse que as 36 horas previstas na PEC do fim da escala 6x1 ainda exigem mais estudos

Em audiência pública na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados nesta terça-feira (10/3), o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, afirmou que o Brasil tem condições de reduzir a jornada semanal de 44 para 40 horas e adotar a escala 5×2, sem corte de salários e com dois dias de descanso remunerado.
“Nós estamos seguros que a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais é factivel e sustentável, até porque já perdemos a oportunidade que poderíamos já estar fazendo há anos”, declarou.
O ministro avaliou, no entanto, que as 36 horas semanais defendidas na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da escala 6×1 ainda precisam de mais estudos, mas que, se esse for o entendimento da Casa parlamentar, precisam “calcular um tempo melhor”.
“No momento, a economia suporta para 40 horas semanais, não 36 horas. Se o Parlamento brasileiro desejar caminhar para estabelecer a jornada máxima em 36 horas semanais, ele tem que calcular um tempo melhor. Na nossa avaliação, não caberia implantar essas 36 horas semanais. O que cabe é a redução para 40 horas semanais, sem redução do salário e duas folgas na semana”, disse o ministro.
A proposta da escala 6×1 foi apresentada em 2024 pela deputada Erika Hilton (PSol-SP) e estava parada na Câmara até ser encaminhada à CCJ na semana passada. A audiência foi pedida em requerimento apresentado pelo deputado Paulo Azi (União Brasil-BA), que presidiu a comissão em 2025.
A PEC tramitará junto à outra proposta, de autoria do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), aliado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Essa é uma das principais bandeiras em busca da reeleição do petista.
O ministro defendeu que não há necessidade de uma transição de 10 anos para essa redução, como dizia o texto do deputado Reginaldo Lopes. Segundo ele, a proposta da deputada Erika é mais factível.
Uma PEC segue um rito mais rigoroso de tramitação no Congresso. Depois de passar pela CCJ, o texto ainda precisa ser examinado por uma comissão especial.
Em seguida, deve ser votado em dois turnos nos plenários da Câmara dos Deputados e do Senado. Para ser aprovada, a proposta precisa do apoio de pelo menos três quintos dos parlamentares em cada Casa, o equivalente a 308 deputados e 49 senadores.

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