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Pela 1ª vez, ministro da Saúde admite lockdown para conter coronavírus

Nelson Teich fez a declaração em coletiva de imprensa na tarde desta quarta-feira (06/05). Governo fará, também, campanhas direcionadas

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Ministro da saúde, Nelson Teich, em coletiva de imprensa em 28/04
1 de 1 Ministro da saúde, Nelson Teich, em coletiva de imprensa em 28/04 - Foto: Igo Estrela/Metrópoles

O ministro da Saúde, Nelson Teich, admitiu pela primeira vez nesta quarta-feira (06/05) a possibilidade de orientar o lockdown em algumas cidades do Brasil, como medida de contenção ao avanço da pandemia do coronavírus.

O lockdown é o fechamento parcial ou total de estabelecimentos comerciais. Até o momento, o bloqueio foi instituído em cidades do Maranhão e do Pará. Outras áreas do país, como Recife, já estudam adotar a medida como forma de frear o avanço da Covid-19. No Rio de Janeiro, três bairros seguirão a medida, orientada pela prefeitura da capital fluminense.

Segundo Teich, há vários níveis de medidas que podem ser adotadas, desde as mais simples, como distanciamento pequeno, até o lockdown. “Cada local terá sua necessidade. O importante é que a gente vai mapear. Você cria uma matriz, com casos novos, infraestrutura, evolução e vê em que esta região está. Não é ser contra ou a favor, é ver o que é certo. Vai ter lugar com lockdown, vai ter lugar que não terá”, disse durante coletiva no Palácio do Planalto.

“Se você tiver uma situação onde tem alta incidência da doença, infraestrutura baixa, vê a doença crescendo, você vai buscar distanciamento cada vez mais. Este é o extremo da gravidade da situação. É importante que a gente discuta as estratégicas de acordo com a situação de cada lugar, para que não se generalize o lockdown”, acrescentou.

Teich ainda ressaltou que é preciso parar de tratar o lockdown de “forma radical”. Dessa forma, segundo ele, há mais “tranquilidade” para aplicar a medida em cada lugar do país.

Campanha sobre isolamento social
O ministro da Saúde também informou nesta quarta que o governo está produzindo uma nova leva de campanha publicitária sobre o isolamento social. Segundo ele, as peças foram um pedido do próprio presidente Jair Bolsonaro e não serão disseminadas de maneira “genérica”, para todo o país, mas de forma “específica”, para cada lugar afetado pela pandemia. “Eu acredito que, provavelmente, as campanhas também vão ser direcionadas para cada situação”, disse Teich.

De acordo com ele, serão levados em conta, entre outros critérios, a taxa da incidência da Covid-19 nos municípios. “Para cada lugar você vai ter que ter uma estratégia e essa estratégia vai mudar de tempos em tempos. Não tem coisa boa ou ruim, coisa usada ou não usada. Tem que ter sabedoria de fazer o que é certo, no tempo certo, no lugar certo. Campanhas não serão genéricas, serão específicas”, acrescentou.

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Máscaras de proteção contra o coronavírus
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Lugares públicos, como o Metrô-DF, são higienizados preventivamente contra o novo coronavírus
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Metrô faz limpeza preventiva contra o novo coronavírus durante a madrugada
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Disputa política
Ainda durante a coletiva, Teich disse que a questão sobre o isolamento e distanciamento social não deve ser transformada em uma “disputa política”.

“Peço que a gente não transforme uma política que tem que ser desenhada para flexibilizar o dia a dia das pessoas em uma disputa política. Uma medida como esta é revista o tempo todo. Que a gente tenha uma forma de conduzir de cooperação. Se você acha que uma coisa deve ser melhorada, dá a sugestão. O que a gente menos precisa é mais confusão, mais conflito, mais desgaste”, afirmou.

A política de isolamento social foi um dos motivos que pesaram na demissão do ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta.

Bolsonaro e Mandetta discordavam sobre a forma de lidar com o combate à pandemia de coronavírus. Enquanto o ex-ministro apoiava medidas de isolamento social adotadas por governadores e prefeitos, Bolsonaro fazia declarações no sentido contrário.

Além disso, o ex-ministro também se negou a endossar o uso geral de cloroquina como remédio para tratar casos de Covid-19, alegando que a ciência não tem indícios suficientes da eficácia do composto defendido por Bolsonaro.

Em abril, após uma reunião com o presidente Jair Bolsonaro, o Conselho Federal de Medicina (CFM) disse que não recomenda o uso da hidroxicloroquina para pacientes em tratamento de Covid-19. O órgão liberou, no entanto, que médicos receitem o medicamento em três casos específicos:

  • Quando o paciente está em estado crítico, internado em terapia intensiva, com lesão pulmonar estabelecida. Nesse caso, a hidroxicloroquina pode ser usada pelos médicos “por compaixão”. Geralmente, isso ocorre quando o paciente já está fora de possibilidade terapêutica e o médico, com autorização da família, utiliza a substância;
  • Quando o paciente, com sintomas de coronavírus, chega ao hospital. Segundo o conselho, existe um momento de replicação viral em que a droga pode ser usada pelo médico com autorização do paciente e familiares; e
  • Quando o paciente tem sintomas leves, parecidos com o da gripe comum. Nesse caso, o médico pode usar a hidroxicloroquina, descartando a possibilidade de que o paciente tenha: influenza A ou B, dengue, ou H1N1. A decisão deve ser discutida com o paciente.

“O Conselho Federal de Medicina não recomenda o uso da hidroxicloroquina. O que estamos fazendo é dando ao médico brasileiro o direito de, junto com seu paciente, em decisão compartilhada com seu paciente, utilizar essa droga. Uma autorização. Não é recomendação”, disse o presidente do CFM, Mauro Luiz de Britto Ribeiro, na ocasião.

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