Metade das exportações vai enfrentar teto das tarifas

CNI mostra que 41,4% da pauta exportadora aos EUA, com 7.691 produtos de variados setores, estão sujeitos à tarifa combinada de 50%

atualizado

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1 de 1 Imagem ilustrativa de carga embarcada do Brasil para outros países - Metrópoles - Foto: Reprodução/FGV

Os dados do levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) sobre o impacto do tarifaço do presidente Donald Trump ao Brasil mostram que 41,4% da pauta exportadora brasileira aos EUA, com 7.691 produtos de variados setores, estão sujeitos à tarifa combinada de 50%. Em 2024, a exportação desses bens alcançou US$ 17,5 bilhões.

A indústria de transformação, principal segmento exportador ao mercado americano, responde por 69,9% desse valor, com 7.184 produtos afetados pelas tarifas combinadas, um total de US$ 12,3 bilhões em 2024.

De acordo com o estudo da CNI, os setores com maior número de produtos exportados afetados pela sobretaxa combinada de 50% são: vestuário e acessórios (14,6%), máquinas e equipamentos (11,2%), produtos têxteis (10,4%), alimentos (9,0%), químicos (8,7%) e couro e calçados (5,7%).

Os setores de aço, alumínio e cobre, sobretaxados pela Seção 232 do Trade Expansion Act, em que o órgão tomou como base de seu mapeamento, representam 9,3% da pauta e enfrentarão tarifa adicional de 50%.

Combinados, esses blocos da pauta exportadora representam 50,7% das exportações brasileiras aos americanos.

Indústria extrativa

O mapa da CNI indica que as exportações isentas se concentram principalmente na indústria extrativa, que responde por 68,9% desses negócios, em especial petróleo leve e pesado.

Na indústria de transformação, o setor de Coque, derivados de petróleo e biocombustíveis representam 21,5% do valor isento, sobretudo outros combustíveis automotivos e óleos combustíveis pesados (sem biodiesel).

O restante do valor exportado isento concentra-se nos setores de Metalurgia e de Madeira.

Isentas da sobretaxa de 40%

A Ordem Executiva 14.323, que institui a tarifa adicional de 40%, inclui uma lista de produtos com isenção condicionada à comprovação de uso no setor de aviação civil. Em 2024, nesse recorte, as exportações brasileiras somaram US$ 2,9 bilhões, o que representa 6,9% da pauta exportadora, explica a CNI.

“O setor de Outros equipamentos de transporte exportou 41 produtos que totalizaram US$ 1,9 bilhão em 2024. Aviões não militares entre 4,5 e 15 toneladas e acima de 15 toneladas concentraram 52,3% valor passível de isenção e têm maior probabilidade de se enquadrar na destinação para aviação civil”.

A aplicação da isenção prevista para a aviação civil pode alterar o alcance efetivo da tarifa adicional de 40% sobre 601 produtos exportados. Caso a exceção seja aceita, 577 deles ficariam sujeitos apenas à tarifa de 10% anunciados em abril, enquanto 4 estariam isentos de ambas, avalia o órgão.

Os setores com maior número de produtos exportados nessa condição são: máquinas e equipamentos (34,9%), equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (26,5%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (17,7%), produtos de borracha e de material plástico (7,2%) e outros equipamentos de transporte (7,1%).

Medidas setoriais da Seção 232

A análise mapeou também a parcela das exportações que pode ser impactada pelas medidas setoriais já em vigor pela Seção 232. Em 2024, essa parcela das exportações somou US$ 5,2 bilhões, o equivalente à 12,3% da pauta exportadora.

Entre as medidas em vigor, aço e alumínio é a mais representativa, com participação de 8,7%, seguido de veículos e autopeças (3,0%) e cobre (0,6%).

Além delas, os EUA têm ampliado o uso da Seção 232, com várias investigações em curso que podem resultar na aplicação de tarifas adicionais a setores específicos.

Estão sendo investigados setores de aeronaves e motores, caminhões, madeira, minerais críticos, produtos farmacêuticos, semicondutores, silício policristalino e sistemas aéreos não tripulados.

“Enquanto a investigação não for concluída, esses setores estarão sujeitos às alíquotas previstas pelas ordens executivas publicadas pelo governo americano em abril e em julho’, conclui o estudo.

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