Messias vai se reunir com Lula antes de definir saída da AGU
Encontro deve acontecer nos próximos dias. Só depois da conversa, Messias deve definir se pede demissão da AGU
atualizado
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O advogado-geral da União, Jorge Messias, deve se encontrar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nos próximos dias para decidir se permanece ou não à frente da Advocacia-Geral da União (AGU). Segundo interlocutores, o futuro do ministro será definido após a conversa com o presidente.
Como mostrou o Metrópoles, na coluna de Manoela Alcântara, Messias ainda não decidiu se deixará o cargo após ter o nome rejeitado pelo Senado para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). Aliados afirmam que não há definição até o momento e que o AGU está em período de reflexão.
A avaliação é de que o advogado-geral deve evitar decisões precipitadas e usar os próximos dias para analisar os desdobramentos recentes. Tanto o AGU quanto o Palácio do Planalto foram pegos de surpresa com a derrota histórica do governo. A rejeição de um indicado do presidente da República para a Suprema Corte não ocorria desde 1894, no governo de Floriano Peixoto.
Messias chegou a ser aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado por 16 votos a 11, após mais de oito horas de sabatina. No entanto, no plenário, o resultado foi desfavorável: 42 votos contrários e 34 favoráveis. Para ser aprovado ao STF, o indicado precisava de ao menos 41 votos — maioria absoluta dos 81 senadores.
O episódio abriu um novo capítulo na crise entre o governo Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Ele nunca escondeu a resistência ao nome de Messias, defendendo que o escolhido para a vaga aberta com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso fosse o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG).
Alcolumbre teria ligado para outros senadores durante a sabatina na CCJ. Segundo relatos, a orientação foi para que votassem contra o indicado. Horas antes da votação em plenário, o presidente do Senado teria afirmado a parlamentares que o dia seria “histórico”.
O governo desconfia de traição na votação, especialmente por parte da bancada do MDB, uma das maiores do Senado. O partido chegou a ocupar três ministérios na atual gestão. Como a votação foi secreta, a base governista tenta mapear quem votou contra.
