Mercado de cerveja artesanal se prepara para queda nas vendas

Após caso Backer, Abracerva – que representa o setor – tenta conter danos e ressalta: beber cerveja artesanal é seguro como voar de avião

atualizado 13/01/2020 23:36

Divulgação

O presidente da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), Carlo Lapolli, afirma que beber cerveja artesanal é bastante seguro, “assim como voar de avião”. Segundo ele, a contaminação em amostras da cerveja Belorizontina é uma “coisa inédita” na história do setor. Ele já se prepara, contudo, para quedas no número de vendas. “O que a gente tem que fazer agora é mostrar que é um caso muito isolado”, completa o presidente da Abracerva.

A Polícia Civil de Minas Gerais (PM-MG) confirmou, nessa segunda-feira (13/01/2020), novo lote da Belorizontina contaminado pelo dietilenoglicol, substância tóxica usada no processo de refrigeração.

“Assim como andar de avião, é muito seguro tomar cerveja artesanal. Quantos casos a gente já viu na imprensa de intoxicação alimentar? Milhares, de laticínios a donos de restaurantes. Agora, relacionado à cerveja artesanal, é a primeira vez”, ressalta Lapolli, em entrevista ao Metrópoles.

O líder da entidade que defende o setor – em franca expansão nos últimos anos – aponta que hoje em dia é muito raro que uma cervejaria use o dietilenoglicol ou o monoetilenoglicol no processo de refrigeração.

A ingestão dessa substância provoca intoxicação severa, com sintomas como insuficiência renal e problemas neurológicos, exatamente os que foram apresentados pelos pacientes que estão internados.

“É muito raro que as cervejarias usem. Até por uma questão econômica, e por ser mais acessível, as cervejarias usam álcool etílico, que é o álcool potável, e outras usam propilenoglicol, que, apesar do nome parecido [com dietilenoglicol], não faz mal”, defende.

Proibição
A Abracerva solicitou ao Ministério da Agricultura (Mapa) e à Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) a elaboração de uma norma específica para a utilização de agentes anticongelantes no sistema de resfriamento de cerveja.

“Hoje não tem essa norma. É uma vacância. A gente quer que seja editada para que preventivamente e cautelarmente seja proibida a utilização de dietileno e monoetilenoglicol para esse tipo de sistema”, explica Carlo.

O presidente destaca que nos Estados Unidos, por exemplo, já existe uma norma que proíbe a utilização dessas substâncias. O país é o segundo maior produtor de cerveja artesanal do mundo. O Brasil, o terceiro.

“Uma fábrica no Brasil tem o mesmo equipamento que uma da Alemanha, dos Estados Unidos e de qualquer lugar. Talvez o errado seja a utilização de substâncias tóxicas aqui. Acho que agora é hora de a gente publicar uma norma também”, prossegue.

Recomendação
Em nota técnica, a Abracerva pediu aos associados que revisem imediatamente os equipamentos e pontos críticos de contaminação envolvendo esses processos.

“Em hipótese alguma utilizar o mono ou dietileno glicol como agente anticongelante nos sistemas de refrigeração indireta”, recomendou.

No lugar da substância, a Abracerva sugere que as cervejarias usem produtos apropriados e de grau alimentício, como o álcool etílico potável ou propileno glicol.

Veja a íntegra da nota:

Nota Técnica Aos Associados – Deg (2) by Tácio Lorran on Scribd

Investigação
Lapolli defende, ainda, uma investigação rígida da Polícia Civil para apurar os fatos.

“É como um acidente aéreo”, prossegue na analogia. “Primeiro, que a investigação deve ser muito séria. Não só para apurar, mas para prevenir que aconteça novamente.”

O representante considera, no entanto, ser “uma estupidez, infantilidade e até de uma maldade sem tamanho” suspeitar que a Ambev, empresa líder no setor, tenha plantado o produto nas amostras.

“A gente não tem a Ambev, ou a Heineken, ou as grandes cervejarias, como inimigos. São competidores. Eu jamais levantaria qualquer suspeita. Acho que nenhuma empresa seria capaz de pensar em uma sabotagem dessas”, diz.

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