Mercadante rebate Zema, que prometeu privatizar o BNDES e a Petrobras
Presidente do BNDES, Aloizio Mercadante criticou a proposta do presidenciável mineiro. "O partido chama Novo, mas essa é uma ideia velha"

Em agenda em Curitiba (PR) nesta terça-feira (25/8), o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, rebateu a proposta do candidato à Presidência Romeu Zema (Novo) de privatizar o banco e a Petrobras. Para Mercadante, a ideia é ultrapassada.
“O partido chama Novo, mas essa é uma ideia velha, que não deu certo porque algumas instituições são essenciais em uma relação criativa entre o Estado e o mercado”, afirmou.
Ao defender a necessidade de um Estado forte atuando em parceria com um mercado forte e regulado, Mercadante afirmou que bancos públicos não são exclusividade do Brasil. Ele citou que existem hoje 555 bancos públicos no mundo e lembrou que, na região das Américas, há o BID e o Banco Mundial.
Usou como exemplo o KfW, banco público alemão que, em parceria com o BNDES, está ajudando a financiar ônibus em Curitiba.
O presidente do BNDES também apontou a atuação do banco em situações emergenciais e em projetos de longo prazo. Citou o caso das enchentes no Rio Grande do Sul em 2024, quando o BNDES destinou R$ 29 bilhões para a recuperação da economia gaúcha, que depois cresceu acima da média nacional.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles“Nós não temos que substituir os bancos privados. Nós temos que trabalhar em parceria e, por sinal, é excelente. Depois de 55 anos o BNDES hoje faz parte da Febraban”, disse.
Mercadante destacou ainda o papel do banco na transição energética e afirmou que o Brasil tem a melhor matriz energética do G20, em parte porque o BNDES é, segundo a Bloomberg, o banco que mais financiou energia limpa e renovável da história. Para ele, projetos de 30 anos para o desenvolvimento de cidades só são possíveis com um banco público.

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Sobre a Petrobras, o presidente do BNDES afirmou que a estatal é hoje a mais rentável entre as petroleiras do mundo e que está investindo na descoberta de novas reservas estratégicas na margem equatorial. Segundo ele, sem a Petrobras não haveria o pré-sal, já que a estatal foi a primeira a atingir 7 mil metros de profundidade.
Para Mercadante, o país precisa de empresas bem administradas, citando que o BNDES tem o segundo melhor resultado do sistema financeiro, a menor inadimplência e é a instituição mais transparente do Estado, com 74 anos de parceria com os setores público e privado.
Ao final, Mercadante criticou o modelo de Estado mínimo, desregulamentação e privatização defendido pelo Consenso de Washington, avaliando que esse modelo fez os Estados Unidos e a Europa perderem importância econômica, enquanto o maior crescimento está na Ásia.
“A China cresceu 8,7% em média ao ano nos últimos 40 anos. Então, nós precisamos de um Estado forte”, completou.



