Menino perdeu dedo em lago de GO com histórico de ataques de piranhas

Diretor de hospital diz que há finais de semana que chegam a ter 3 pacientes que sofreram ataques. Especialista explica cuidados necessários

atualizado 03/01/2022 18:47

Lago das BrisasJoão Luiz Pacheco Vieira Galvão/ Getty Images

Goiânia –  O Lago das Brisas é um conhecido destino turístico ao sul de Goiás. Com 778 quilômetros quadrados, ultrapassa em tamanho a Baía de Guanabara, na cidade do Rio.

Ao redor de suas margens se destacam as pousadas e casas de veraneio, que hospedam os frequentadores da região –  marcada por uma paisagem exuberante. Mas, dentro d’água, o que chama atenção é a presença dos cardumes de piranhas, com um histórico de ataques a banhistas.

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O mais recente aconteceu no dia 1º de janeiro de 2022. A chegada do novo ano se transformou em pesadelo para a família de uma criança de 10 anos, que precisou amputar o dedo mindinho do pé após ser atacada pela espécie citada.

Em janeiro do ano passado, um turista também passou por episódio semelhante. Perdeu o pedaço de um dedo do pé ao ser atacado por uma piranha.

Situado no município de Buriti Alegre, o Lago das Brisas surgiu em 1976 com o represamento de água em decorrência da construção de uma usina hidrelétrica. É o ponto de encontro de três rios: Piracanjuba, Corumbá e Paranaíba.

O diretor clínico da Santa Casa de Buriti Alegre, Neube Antonio Marques, já tratou de vítimas dos ataques no lago.

“Já chegamos a atender até três pessoas num mesmo fim de semana”, diz o médico ao Metrópoles. Ele ressalta, no entanto, que os ferimentos costumam ser leves. “Esse caso da amputação é o mais grave que teve notícia”.

Motivos do ataque

O zootecnista Paulo Roberto Silveira Filho explicou para a reportagem que os ataques costumam acontecer em duas situações: piranhas atraídas por alimentos que caem na água ou defesa do ninho.

“Estamos na época da piracema, quando peixes nativos se reproduzem, com águas mais quentes. As fêmeas colocam ovos próximos às margens, em vegetações, por exemplo. E, neste caso, se um banhista se aproxima de um ninho, pode ser atacado”, pondera o especialista.

Paulo ainda explicou que a grande concentração de banhistas na beira do lago também pode chamar a atenção do cardume de piranhas. Caso a pessoa seja atacada, a orientação é sair o mais rápido da água, já que não se sabe o tamanho do cardume que possa estar por ali.

O zootecnista ainda lembra que a pesca predatória pode provocar o aumento de piranhas, quando ocorre a extinção dos peixes maiores que poderiam comê-las.

Alerta para turistas

Sérgio Borges, pai do menino de 10 anos que perdeu o dedo após o último ataque, fez um alerta para os turistas sobre o perigo das piranhas.

“Nós sempre fomos para lá e nunca aconteceu isso, mas ultimamente as ocorrências aumentaram. A prefeitura ficou de colocar placas e até hoje não colocou. A gente chegou lá e não viu nenhum alerta”, lamentou Borges ao Metrópoles.

“A intenção nossa é alertar os banhistas que frequentam a região para ter cuidado porque é um trauma muito grande. A gente nunca pensou que ia passar por uma coisa daquela. Como pai, fico traumatizado. É um sentimento de impotência diante do que aconteceu”, concluiu Borges.

Procurada pela reportagem, a prefeitura de Buriti Alegre afirmou que existem avisos sobre o risco de ataques de piranhas na beira do lago, assim como a orientação para que as pessoas não joguem restos de comida na água.

Os dados oficiais da prefeitura local contabilizam dez ataques de piranhas a banhistas nos últimos três anos.

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