
Mendonça manda excluir posts de Lula sobre “tesouraço” de Flávio Bolsonaro
TSE dá três horas para retirada de posts de Lula sobre relação de "tesouraço" proposto por Flávio com supostos cortes em programas sociais

O ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou nesta terça-feira (13/10) a remoção imediata de publicações feitas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e pela coligação Brasil Pronto Pra Mais no X e no Instagram sobre a proposta de corte de gastos do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), nomeada pelo senador como “tesouraço”.
As empresas têm o prazo de três horas para realizar a retirada das publicações. Em caso de descumprimento ou de novas postagens com o mesmo conteúdo, Mendonça fixou multa de R$ 10 mil por dia ou por nova publicação.
A decisão ocorre após Flávio acionar a Justiça Eleitoral contra Lula e a coligação por causa de um vídeo de aproximadamente 55 segundos, divulgado em 6 de outubro nos perfis oficiais do presidente nas duas redes sociais. Mendonça negou, por ora, o pedido para estender automaticamente a ordem a conteúdos semelhantes e para proibir preventivamente novas publicações com o mesmo teor.
Cortes de programas sociais
O material publicitário associa o chamado “tesouraço” à possibilidade de cortes em programas sociais, como o Farmácia Popular, o Minha Casa, Minha Vida, o Mais Médicos, além de políticas de combate ao câncer, distribuição de cisternas, merenda escolar e prevenção de desastres.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesNa avaliação de Mendonça, embora a liberdade de expressão proteja o debate político, a propaganda eleitoral atribui a Flávio a intenção de extinguir ou reduzir programas sociais sem “suporte factual mínimo”. Para o ministro, o conteúdo distorce o plano de governo do candidato ao sugerir a supressão de direitos.
“Ocorre que a propaganda apresenta como consequência certa uma ameaça generalizada à continuidade de políticas sociais, sem apontar fundamento fático mínimo que autorize semelhante conclusão e em aparente contradição com compromissos expressos no plano de governo registrado nesta Corte”, escreveu Mendonça na decisão.

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Ver todasRedução da estrutura administrativa
Ainda de acordo com a decisão, o plano de governo de Flávio define o “tesouraço” como uma proposta de redução da estrutura administrativa do Estado. Ele cita como exemplos cortes de ministérios, cargos comissionados, despesas administrativas, penduricalhos e supersalários, “não havendo qualquer previsão de supressão ou redução de programas sociais.”
“A propaganda não identifica proposta efetivamente apresentada pelo representante que determine a supressão do Farmácia Popular, do Minha Casa, Minha Vida, mais médicos, combate ao câncer, cisternas, merenda escolar, prevenção de desastres. Limita-se a anunciar essas consequências como resultados certos de sua eventual eleição, sem estabelecer conexão verificável entre as posições do candidato e os acontecimentos descritos”, argumentou Mendonça.
O magistrado ressaltou, entretanto, que as propostas registradas pelos candidatos não garantem sua implementação futura e que adversários podem questionar a viabilidade das medidas ou apontar contradições entre promessas eleitorais e posições anteriores.
O ministro também considerou que a proximidade do segundo turno e a circulação das publicações nas redes sociais aumentam o risco de disseminação de informações potencialmente inverídicas durante o processo eleitoral.
A decisão liminar será submetida ao referendo do plenário do TSE. Lula e a coligação deverão apresentar defesa no prazo legal.
