Nasa faz impressionante registro de fumaça das queimadas na Amazônia

Imagem mostra gigantesca coluna cinzenta sobre vários estados brasileiros. Agência espacial alerta sobre número recorde incêndios

Divulgação/NasaDivulgação/Nasa

atualizado 22/08/2019 9:49

Uma imagem do satélite Aqua, da Nasa, publicada nessa quarta-feira (21/08/2019), dá a dimensão da magnitude do problema causado por queimadas criminosas e fora de controle na região amazônica. A foto, feita pela agência espacial norte-americana na terça-feira (20/08), mostra uma gigantesca coluna de fumaça cinzenta sobre vários estados brasileiros.

A Nasa destacou que, embora seja comum a ocorrência de incêndios no país nesta época do ano, devido às altas temperaturas e baixa umidade, o número recorde de incêndios é preocupante. Apenas entre janeiro e agosto são 72.843 pontos mapeados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Número 83% maior do que no mesmo período de 2018.

A fumaça vem de Rondônia; do Acre, que declarou estado de alerta ambiental; e do Amazonas, que decretou situação de emergência na região Sul e na zona metropolitana de Manaus por causa do fogo.

O corredor de fumaça desce pela América do Sul desde a semana passada, atingindo o Centro Oeste, o Sudeste e o Sul do Brasil, além de países vizinhos como a Argentina, Uruguai, Peru e Bolívia. Um dos resultados mais bizarros deste fenômeno ocorreu em São Paulo. Lá, moradores viram o dia virar noite às 15h, por conta da junção entre incêndios florestais, no Sul da Bolívia e do Paraguai, e uma frente fria intensa.

#PrayForAmazonas
As queimadas na região amazônica foram assuntos mais comentados no Twitter em todo o mundo ontem, com centenas de milhares de publicações sobre o tema com a hashtag #PrayForAmazonas. Em meio a polêmica, muitas pessoas na rede social chegaram a acusar o presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), de descaso com a situação ou atribuindo a ele a culpa pelo aumento nas queimadas descontroladas, com o avanço do desmatamento.

Em coletiva à imprensa, o líder do Planalto insinuou, sem apresentar provas, que ONGs podem estar por trás das queimadas, em uma retaliação à perda de recursos para o setor na gestão dele. “Nós tiramos dinheiro de ONGs, repasses de fora, 40% ia para ONGs, não tem mais. De modo que esse pessoal está sentindo a falta de dinheiro. Pode estar havendo, não estou afirmando, a ação criminosa desses ‘ongueiros’ para chamar a atenção contra minha pessoa contra o governo do Brasil”, disse o presidente. A fala gerou críticas de vários setores no país e no mundo.

A coordenação do Observatório do Clima, rede que reúne cerca de 50 organizações não governamentais do país em prol de ações contra as mudanças climáticas, reagiu à fala de Bolsonaro, afirmando que o recorde de focos de incêndio observados neste ano é apenas “o sintoma mais visível da antipolítica ambiental do governo.”

Ministro vaiado
No mesmo dia, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, foi vaiado em vários momentos em evento do terceiro dia da Semana Latino-Americana sobre Mudança do Clima, da ONU (Organização das Nações Unidas), sediado em Salvador (BA). Durante sua fala, ele reagiu às manifestações negativas da plateia e atribuiu o aumento das queimadas à seca. Em maio, ele chegou anunciar o cancelamento do evento da ONU sobre o clima em Salvador.

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