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Meio Ambiente

Em 30 anos, Pantanal perdeu um terço da área coberta por água

Mais seco, o bioma foi o mais atingido por incêndios. Ao todo, segundo dados do MapBiomas, o território teve 57% da vegetação queimada

29/09/2021 10:26, atualizado 29/09/2021 10:59
Buda Mendes/Getty Images
Imagem colorida de seca no pantanal

No intervalo de 30 anos, a  maior planície úmida do planeta perdeu quase um terço da área coberta por água. O Pantanal, entre a cheia de 1988 e a de 2018 viu o perímetro alagado diminuir 29%.

Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (29/9) pelo MapBiomas, iniciativa do Observatório do Clima que monitora a devastação da vegetação e outros fenômenos climáticos.

Na primeira cheia registrada na série histórica de imagens de satélite analisadas pelo MapBiomas, esse total era de 5,9 milhões de hectares. Na última, em 2018, a área alcançou apenas 4,1 milhões de hectares.

A tendência alarmante continua em 2020. No ano passado, o número foi de 1,5 milhões de hectares, o menor nos últimos 36 anos.

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Na prática, mais seco, o Pantanal está também mais suscetível ao fogo. “Os períodos úmidos favorecem o desenvolvimento de plantas herbáceas, arbustivas, aquáticas e semiaquáticas, acumulando biomassa. No período seco, a vegetação seca vira combustível para o fogo”, explica o MapBiomas, em nota.

Segundo a entidade, de todos os biomas brasileiros, o Pantanal foi o que mais queimou nos últimos 36 anos: 57% de seu território foi queimado pelo menos uma vez no período, ou 86.403 km².

Áreas de vegetação campestre e savanas foram as mais afetadas, respondendo por mais de 75% das áreas queimadas. Ao todo, 93% do fogo no período ocorreu em vegetação nativa; apenas 7% ocorreu em área antrópica.

Em 2020, foram mais de 2,3 milhões de hectares queimados — desde 1985, esse número só é menor do que a área queimada de 1999, com 2,5 milhões de hectares.

“A conservação do Pantanal, sua cultura e seu uso tradicional dependem dos ciclos de inundações e dos rios que nascem na região do Planalto, onde ficam as cabeceiras da Bacia do Alto Paraguai”, explica Eduardo Rosa, do MapBiomas.