Megaoperação tem apoio de 55,2% e rejeição de 42,3%, diz AtlasIntel

Maioria dos brasileiros aprova megaoperação policial no Rio, mas opinião se divide diante do alto número de mortes

atualizado

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Fabiano Rocha / Agência O Globo
Rio de Janeiro (RJ), 28/10/2025 - Polícia / Mega-operação - Mega-Operação Policial nos Complexos do Alemão e Penha. Na foto: movimentação policial na Vila Cruzeiro
1 de 1 Rio de Janeiro (RJ), 28/10/2025 - Polícia / Mega-operação - Mega-Operação Policial nos Complexos do Alemão e Penha. Na foto: movimentação policial na Vila Cruzeiro - Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo

A megaoperação realizada na terça-feira (28/10) nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, tem apoio de 55,2% dos brasileiros e rejeição de 42,3%, segundo pesquisa divulgada nesta sexta-feira (31/10) pelo instituto AtlasIntel. Outros 2,5% afirmaram não saber ou preferiram não responder.

O levantamento revela que o apoio é ainda maior entre os moradores da própria capital fluminense, onde 62,2% aprovam a ação e 34,2% desaprovam.

A operação, batizada de Contenção, mobilizou cerca de 2,5 mil agentes das polícias Civil e Militar e tinha como objetivo conter a expansão territorial do Comando Vermelho (CV) e cumprir 100 mandados de prisão contra criminosos de alta periculosidade.

A ofensiva, no entanto, deixou 121 mortos, segundo atualização da Polícia Civil na manhã desta quinta-feira. O número foi revisto após novos registros de entrada de corpos no Instituto Médico Legal (IML) Afrânio Peixoto, no centro da cidade. Trata-se de uma das ações mais letais da história do Rio de Janeiro.

Percepção sobre o uso da força

A pesquisa também mediu a opinião sobre o nível de violência empregado durante a ofensiva. Mais da metade dos brasileiros (52,5%) considerou o uso da força “adequado”, enquanto 45,8% o classificaram como “excessivo”. No Rio, o apoio à conduta das forças de segurança foi ainda maior: 62,3% avaliaram o nível de violência como adequado.

Segundo o CEO da AtlasIntel, Andrei Roman, os números “sugerem que a maioria da população entende a operação dentro do contexto do combate ao crime organizado, e não como uma ação desproporcional”.

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A megaoperação ocorreu em 28 de outubro
Policiais durante megaoperação no Rio de Janeiro
Os corpos foram expostos em uma praça
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Os corpos foram expostos em uma praça

Tercio Teixeira/Especial Metrópoles
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Eduardo Anizelli/Folhapress
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A megaoperação ocorreu em 28 de outubro

Tercio Teixeira/Especial Metrópoles
Policiais durante megaoperação no Rio de Janeiro
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Policiais durante megaoperação no Rio de Janeiro

Fernando Frazão/Agência Brasil

Motivação e efeitos da operação

Questionados sobre o saldo de mais de 120 mortos, 51,7% dos cariocas disseram acreditar que o resultado reflete a melhor forma de combater o crime, enquanto 37% veem na ação uma tentativa de ganho político. No cenário nacional, a percepção se inverte: 42% dos entrevistados avaliam que houve motivações políticas, contra 39,3% que enxergam eficácia no enfrentamento ao crime.

O governador Cláudio Castro (PL) defendeu a operação e disse que o objetivo foi “desmantelar o controle territorial das facções criminosas”.

Entretanto, diversas entidades de direitos humanos e a Defensoria Pública do Estado do Rio criticaram a letalidade da ação e cobraram investigações independentes sobre as mortes.

Maioria quer novas operações

Apesar das críticas, o levantamento revela que a maioria da população é favorável a novas ações semelhantes. Entre os brasileiros, 55,9% apoiam a realização de novas megaoperações; no Rio, o índice sobe para 62%.

O apoio é mais forte entre homens e pessoas de renda mais baixa, grupos que, segundo a pesquisa, se sentem mais vulneráveis à violência cotidiana.

Debate sobre segurança

A letalidade recorde da operação Contenção reacendeu o debate sobre o papel das forças de segurança e os limites da atuação policial em áreas densamente povoadas. O Ministério Público do Rio de Janeiro enviará equipes técnicas ao Instituto Médico Legal (IML) para realizar uma perícia independente sobre as circunstâncias das mortes.

A Polícia Civil também abriu inquérito para investigar possível fraude processual, após relatos de que moradores retiraram corpos da mata, o que pode ter alterado a cena do crime e prejudicado as perícias.

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