Médicos preveem colapso do sistema municipal de saúde de São Paulo

Justiça barrou greve organizada pelo Sindicato dos Médicos; categoria se queixa da falta de reposição de profissionais afastados

atualizado 18/01/2022 23:34

Hospital de Campanha Pedro Dell'Antonia de Santo André - São PauloFábio Vieira/Metrópoles

São Paulo – Médicos da rede municipal de São Paulo preveem que o sistema de saúde está prestes a colapsar, devido à falta de profissionais somada a uma quantidade crescente de pacientes com o avanço dos casos de Covid-19.

“Quando não tem estrutura, são os médicos que são agredidos na ponta. Nossas demandas foram feitas para que tenham medidas e não aconteça o colapso que vemos se delinear”, afirmou ao Metrópoles o presidente do Sindicato dos Médicos de São Paulo, Victor Dourado.

O sindicato negocia melhores condições de trabalho e atendimento à população com a prefeitura. Sem acordo, a categoria havia decidido por uma paralisação no atendimento das Unidades Básicas de Saúde (UBSs) nesta quarta-feira (19/1). No entanto, a pedido da prefeitura, a Justiça concedeu liminar na terça-feira (18/1) que proibiu a greve.

A paralisação, segundo o sindicato, foi a única medida cogitada para prevenir o esgotamento do sistema público de saúde.

Entre as causas de um possível colapso, citadas pelos sindicalistas, estão a falta de reposição de médicos que deixam de trabalhar nos postos de saúde ou que estão afastados justamente por terem contraído o coronavírus ou apresentarem sintomas. O número reflete a alta de casos na cidade. A prefeitura estima que a cidade pode estar em seu pior momento de propagação do vírus.

Dourado diz que, no dia 13 de janeiro, 3.190 médicos da rede municipal estavam afastados por razões ligadas à Covid.

Déficit de médicos

Ele também se queixa da falta de transparência nos dados da prefeitura, o que impede de diagnosticar o verdadeiro déficit de médicos na rede pública. Dourado estima que, só pela falta de reposições de profissionais que saíram no ano passado, faltem 900 médicos para dar conta da atual demanda.

Esse cálculo do sindicato leva em consideração a demanda existente de mais dois médicos prestarem serviço nas 469 Unidades Básicas de Saúde (UBSs), que são a porta de entrada da rede de atenção à saúde.

Para tentar aliviar a reivindicação dos médicos, a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) anunciou a contratação de 700 profissionais de saúde. O sindicato, porém, afirma que, desse contingente, só 140 profissionais seriam médicos.

“Esse anúncio de 140 contratações não é plano de contingência nem para a quantidade de profissionais afastados pela doença”, criticou o presidente do Sindicato dos Médicos de São Paulo.

Na segunda-feira (17/1), após reunião com o sindicato, a Secretaria Municipal de Saúde prometeu, entre outros, regularizar o pagamento das horas extras acumuladas até o fim do ano passado. Informou ainda que pagará horas extras e plantões extras na folha de pagamento do respectivo mês, inclusive para os demais servidores da rede.

 

 

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