Médicos de conselho do Ministério da Saúde ameaçam renúncia caso Queiroga não recue

Especialistas exigiram que a pasta defina um calendário para a retomada da vacinação de adolescentes

atualizado 17/09/2021 22:58

Ministro Marcelo Queiroga fala da suspensao da vacina contra Covid da empresa Pfizer para adolescentes, em coletiva de imprensa no Ministério da SaúdeIgo Estrela/Metrópoles

Médicos que compõem a Câmara Técnica Assessora de Imunização Covid-19, instância de aconselhamento do Ministério da Saúde, ameaçaram renúncia coletiva caso a pasta não recue da decisão de suspender a vacinação de adolescentes de 12 a 17 anos. A informação é do O Globo. 

De acordo com a publicação, a possibilidade foi cogitada durante reunião virtual, na tarde desta sexta-feira (17/9). Especialistas e membros de sociedades e conselhos de medicina, além de representantes das secretarias estaduais e municipais de saúde que compõem a Câmara rechaçaram de forma unânime a decisão do ministro Marcelo Queiroga de suspender a vacinação.

Alguns presentes na reunião exigiram que o governo elabore uma nova nota técnica esclarecendo que a equipe de especialistas não foi consultada e que discorda da decisão. Também foi solicitado que a pasta defina um calendário para a retomada da vacinação deste grupo etário.

Um dos médicos presentes defendeu que a nota saísse já no fim de semana, a fim de mitigar o pânico provocado em pais de adolescentes e o movimento antivacina.

Marcelo Queiroga não participou da reunião. Quem ouviu as queixas foi a secretária extraordinária de enfrentamento à Covid-19, Rosana Mello, que assinou a nota que suspendeu a vacinação e provocou a atual crise. Ela ficou de levar os argumentos a Queiroga e responder as demandas até a próxima sexta-feira (24/9).

“Não faz sentido a gente ficar lá para não ser ouvido. A gente não ganha nada por isso, para ficar tomando bordoada por coisas absurdas”, disse um participante. Outro médico reforçou: “Você acha que os EUA estariam vacinando sua população se houvesse esse risco?”.

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