Médico diz que cirurgia poderia agravar estado de saúde de Bolsonaro

O cirurgião Antonio Macedo sinalizou que cirurgia dificilmente resolveria problemas intestinais do presidente Bolsonaro

atualizado 05/01/2022 13:02

Bolsonaro posa para foto ao lado do médico Antônio Macedo, no Vila Nova StarFábio Vieira/Metrópoles

São Paulo — O cirurgião Antônio Macedo declarou nesta quarta-feira (05/01) que não operaria o intestino se estivesse no lugar do presidente Jair Bolsonaro (PL).

“Não consigo me controlar”, diz Bolsonaro sobre erros em dieta

Ele é o responsável pelo tratamento de Bolsonaro desde o ataque sofrido durante a eleição de 2018, quando o então candidato foi esfaqueado.

Durante entrevista coletiva concedida pelo presidente, após receber alta nesta quarta-feira (5/4), Macedo afirmou que, em decorrência de uma inflamação do peritônio (membrana que reveste paredes da cavidade abdominal e recobre órgãos abdominais e pélvicos), é remota a possibilidade de resolução dos problemas intestinais por meio de cirurgia.

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“Se eu tivesse o problema dele, não gostaria que me operassem. Se operassem, como a barriga dele é muito inflamada, devido às infecções, sangramento, tudo o que aconteceu, existe chance de o problema (aderências no intestino) passar para outro lugar e obrigar a uma outra cirurgia”, avaliou o cirurgião, em entrevista coletiva.

Bolsonaro recebe alta médica nesta manhã no hospital Vila Nova Star, na Zona Sul de São Paulo, onde tratou uma suboclusão intestinal, com uma sonda gástrica e antibióticos.

Macedo explicou que Bolsonaro pode enfrentar novamente episódios de obstrução intestinal, mas que será preciso avaliar qual o melhor tratamento, cirúrgico ou não, a cada ocasião.

Para os próximos dias, Macedo recomendou a Bolsonaro que siga uma dieta especial, para evitar alimentos que possam ocasionar problemas intestinais. Mas na entrevista Bolsonaro já avisou que seria difícil seguir a dieta, como não seguiu também depois de outros episódios de obstrução intestinal que enfrentou.

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“Vai ser difícil seguir. Eu não consigo me controlar”, admitiu Bolsonaro.

Bolsonaro deixou o hospital por volta das 10h desta quarta-feira depois de ficar três dias internado.

Ele veio às pressas de Santa Catarina, onde estava de folga, porque passou mal depois do almoço do último domingo (02/01).

Bolsonaro foi internado para tratar pela segunda vez uma obstrução intestinal — em julho do ano passado, ele também foi internado no hospital para tratar o mesmo problema.

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No novo tratamento, foram prescritos antibióticos e Bolsonaro foi submetido a uma sonda gástrica para desobstruir o intestino. Ele foi ainda submetido a uma dieta líquida antes de se recuperar.

Na última terça-feira (04/01) o hospital tinha divulgado boletins para informar que o presidente já tinha retirado a sonda nasogástrica após ter evoluído com boa aceitação da dieta líquida ofertada durante o dia.

De acordo com o hospital, o quadro de suboclusão intestinal do presidente se desfez; a instituição confirmou que não havia necessidade de submetê-lo a uma cirurgia.

Santa Catarina

Na madrugada de segunda-feira, o presidente interrompeu suas férias no litoral catarinense e deu entrada no hospital na capital paulista, em que já ficou internado em outras ocasiões.

Bolsonaro ficou em um andar isolado para ele no Vila Nova Star, hospital privado no bairro da Vila Nova Conceição, Zona Sul de São Paulo. O mandatário interrompeu suas férias no Forte Marechal Luz, em São Francisco do Sul (SC), após sentir desconforto abdominal, e pegou um voo fretado com destino a Congonhas, onde desembarcou por volta da 1h30.

O presidente já passou por seis cirurgias relacionadas ao episódio da facada. Em julho do ano passado, foi internado no mesmo hospital e também recebeu o diagnóstico de obstrução intestinal. Chegou a ser cogitada cirurgia, mas, por fim, indicou-se uma dieta.

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