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Uma médica confessou ter rasgado a receita que tinha acabado de prescrever a um paciente de 72 anos porque ele declarou voto no candidato do PT à Presidência, Fernando Haddad, no primeiro turno das eleições.

O caso aconteceu em um hospital público de Natal (RN) nessa segunda-feira (8/10) e foi registrado por meio de boletim de ocorrência na 7ª Delegacia de Polícia da capital. A infectologista Tereza Dantas declarou estar arrependida de sua atitude.

O caso aconteceu por volta das 7h30, segundo a vítima, José Alves de Menezes, que já havia trabalhado no Hospital Estadual Giselda Trigueiro, junto da médica. “Me senti ofendido. Passei vergonha na frente de todo mundo. No início, achei que era brincadeira e até ri”, relata.

O aposentado contou que, após receber a receita, ela perguntou em quem tinha sido o voto dele. “Eu disse que votei no Haddad, aí ela disse: ‘Pois então, não dou mais a receita’, e rasgou. Duas ou três pessoas também viram. Respondi na inocência. Nem sabia quem era o candidato dela. Nunca votei no PT, nunca fui fanático por partido nenhum. Essa foi a primeira vez que votei nele”, completou.

Arrependimento
Ao G1, a profissional garantiu ter se exaltado enquanto conversava sobre a situação política do Brasil. “Eu realmente rasguei [a receita] porque ele não votou no meu candidato. Fiz errado, não tenho dúvidas”, disse Tereza, acrescentando sua pretensão de se desculpar quando se encontrar novamente com o idoso.

“Eu pedi perdão a Deus e pedi que ele me ajudasse a tirar de mim essa mágoa. Eu nunca gostei de extremismos e estava me transformando em algo que não gosto. Não deveria ter feito isso, eu sei. Agi por impulso e, por isso, peço desculpas”, afirmou a profissional de saúde.

Após a confusão, José Alves procurou a direção do hospital e conseguiu outra receita. Também registrou queixa na ouvidoria da unidade, além do boletim de ocorrência na Polícia Civil. A vice-coordenadora do Sindicato da Saúde do Rio Grande do Norte (Sindsaúde), Simone Dutra, afirmou que o setor jurídico da entidade está preparando uma denúncia ao Conselho Regional de Medicina (CRM).