MEC revoga portaria que extinguia política de cotas na pós-graduação

A medida, assinada pelo ministro interino da pasta, Antonio Paulo Vogel de Medeiros, foi publicada no Diário Oficial da União (DOU)

atualizado

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O Ministério da Educação (MEC) revogou, nesta terça-feira (23/06), a portaria assinada pelo ex-ministro Abraham Weintraub, que extinguia a política de cotas para negros, indígenas e pessoas com deficiência nos cursos de pós-graduação. A medida, assinada pelo ministro interino da pasta, Antonio Paulo Vogel de Medeiros, foi publicada no Diário Oficial da União (DOU).

A decisão de acabar com a inclusão foi a última tomada por Abraham Weintraub como ministro da Educação. O então chefe da pasta publicou o ato com apenas dois artigos: um determinando o cancelamento. Outro indicando a vigência imediata.

Confira a portaria publicada nesta terça-feira (23/06):

DOU
Portaria foi assinada por ministro interino

A medida do ministro da Educação contrariava, por exemplo, entendimentos do Supremo Tribunal Federal (STF), que declarou, em 2012, a constitucionalidade das políticas de ações afirmativas. A Lei nº 12.990, de junho de 2014, reservou 20% das vagas aos negros no serviço público federal. A norma cita que as “ações afirmativas na graduação não são suficientes para reparar ou compensar efetivamente as desigualdades sociais resultantes de passivos históricos ou atitudes discriminatórias atuais”.

Weintraub foi na contramão do que foi adotado na Universidade de Brasília (UnB). A instituição aprovou no começo deste mês a política de cotas para indígenas, quilombolas e negros na pós-graduação, como revelou o Metrópoles. A decisão foi tomada pelo Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão 17 anos após a aprovação de cotas para negros na graduação.

De acordo com a resolução, serão destinadas 20% das vagas de cada edital para candidatos negros a ingresso em cursos de mestrado e doutorado. Para indígenas e quilombolas, será criada ao menos uma vaga adicional em cada programa de pós-graduação. As universidades têm autonomia para determinar esse tipo de política.

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Ele assumiu o lugar de Ricardo Vélez, em 2019
O ministro foi alvo de críticas por causa de cortes em bolsas de pesquisa
Ele é um forte aliado do presidente Jair Bolsonaro
A permanência de Weintraub no MEC ficou insustentável após os ataques que ele fez aos ministros do STF, a quem chamou de "vagabundos"
Remanescentes do acampamento Agro se encontram com o  então ministro da Educação, Abraham Weintraub
Abraham Weintraub deixou o MEC
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Abraham Weintraub deixou o MEC

Andre Borges/Especial para o Metrópoles
Ele assumiu o lugar de Ricardo Vélez, em 2019
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Ele assumiu o lugar de Ricardo Vélez, em 2019

Gabriel Jabur/MEC
O ministro foi alvo de críticas por causa de cortes em bolsas de pesquisa
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O ministro foi alvo de críticas por causa de cortes em bolsas de pesquisa

Andre Borges/Esp. Metrópoles
Ele é um forte aliado do presidente Jair Bolsonaro
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Ele é um forte aliado do presidente Jair Bolsonaro

Rafaela Felicciano/Metrópoles
A permanência de Weintraub no MEC ficou insustentável após os ataques que ele fez aos ministros do STF, a quem chamou de "vagabundos"
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A permanência de Weintraub no MEC ficou insustentável após os ataques que ele fez aos ministros do STF, a quem chamou de "vagabundos"

Fotos: Hugo Barreto/Metropoles
Remanescentes do acampamento Agro se encontram com o  então ministro da Educação, Abraham Weintraub
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Remanescentes do acampamento Agro se encontram com o então ministro da Educação, Abraham Weintraub

Fotos: Hugo Barreto/Metropoles
Weintraub, na Esplanada, sem a máscara. Nesse dia, ele foi multado em R$ 2 mil pelo GDF
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Weintraub, na Esplanada, sem a máscara. Nesse dia, ele foi multado em R$ 2 mil pelo GDF

Fotos: Hugo Barreto/Metropoles
Ministério da Educação recebeu o auto de infração contra Weintraub no dia 15 de junho
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Ministério da Educação recebeu o auto de infração contra Weintraub no dia 15 de junho

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A permanência de Weintraub no MEC ficou insustentável após os ataques que ele fez aos ministros do STF, a quem chamou de "vagabundos"
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A permanência de Weintraub no MEC ficou insustentável após os ataques que ele fez aos ministros do STF, a quem chamou de "vagabundos"

Andre Borges/Esp. Metrópoles
Após saída do governo, Weintraub foi indicado para o Banco Mundial
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Após saída do governo, Weintraub foi indicado para o Banco Mundial

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Weintraub é investigado no Inquérito das Fake News no STF
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Weintraub é investigado no Inquérito das Fake News no STF

Reprodução/Redes Sociais
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André Borges/Esp. Metrópoles
O ex-ministro da Educação Abraham Weintraub, irmão de Arthur, também está morando fora do Brasil, após ser indicado para diretoria do Banco Mundial
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O ex-ministro da Educação Abraham Weintraub, irmão de Arthur, também está morando fora do Brasil, após ser indicado para diretoria do Banco Mundial

Luciano Freire/MEC

 

Estados Unidos
Abraham Weintraub, deixou o Brasil no último fim de semana após anunciar a sua exoneração do governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Atualmente, ele está em Miami, nos Estados Unidos. Nessa segunda-feira (22/06), ele agradeceu às “dezenas de pessoas” que o ajudaram.

“Agradeço a todos que me ajudaram a chegar em segurança aos EUA, seja aos que agiram diretamente (foram dezenas de pessoas) ou aos que oram por mim”, escreveu Weintraub, em uma rede social. Ele postou ainda uma foto em frente a uma lanchonete.
Confira a publicação original:

 

O ex-ministro deixou a pasta na última semana depois de uma série de polêmicas e de declarações dadas em redes sociais. Ele é investigado no Supremo no inquérito das fake news por ter falado em prisão de ministros da Corte e os xingado de “vagabundos”. Weintraub também enfrenta outra ação por suposta prática de racismo ao ironizar a China.

Após a demissão, ele foi indicado pelo presidente para o Banco Mundial (Bird). Segundo a instituição, Weintraub será diretor somente até o próximo dia 31 de outubro. Weintraub cumprirá o restante do atual mandato de Fábio Kanczuk, que deixou o cargo em 2019 para ser diretor de política econômica do Banco Central (BC).

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