Master: PGR investiga fundo usado por Vorcaro para investir no Atlético-MG

Vorcaro é um dos sócios da SAF do Atlético-MG. De acordo com a PGR, há dúvidas sobre quem é o controlador do fundo que investiu no Galo

atualizado

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A Procuradoria-Geral da República (PGR) cita, em relatório encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), que um fundo utilizado pelo dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, para investir na SAF que controla o Atlético-MG pode estar relacionado a desvio de recursos da instituição. Esse fundo colocou R$ 300 milhões na SAF (sociedade anônima) que controla o Galo.


Entenda

  • SAF significa Sociedade Anônima do Futebol, um modelo empresarial para clubes no Brasil.
  • Dentro da estrutura societária da SAF, 25% do Atlético permanece com o associativo, enquanto o restante é dividido entre empresários — entre eles Vorcaro.
  • PGR aponta indícios de fraude em aportes de empresa no clube, já que encontra dificuldades.

O relatório da PGR aponta que o fundo Astralo 95, responsável pelo investimento no Galo, integra a engenharia financeira utilizada para desviar recursos do banco controlado por Vorcaro.

A Astralo, juntamente com a Reag Growth 95, segundo a PGR, movimentou R$ 1,45 bilhão em recursos do Master entre abril e maio de 2024. Os beneficiários dessas operações seriam parentes de João Carlos Mansur, fundador da Reag Investimentos e alvo da Polícia Federal (PF) na quarta-feira (14/1).

Segundo a Procuradoria, há dúvidas sobre quem é o real controlador da cadeia desses dois fundos, uma vez que a Astralo detinha 100% das cotas da Galo Forte FIP, utilizado para adquirir participação na Galo Holding, até novembro de 2024. A partir de dezembro do mesmo ano, porém, 80% das cotas do fundo foram transferidas para Vorcaro, enquanto o restante permaneceu com a Astralo.

Para a PGR, esse movimento gera conflito, pois já era de conhecimento público que, desde o fim de 2023 — quando a Galo Forte se colocava à disposição para adquirir participação na SAF —, Vorcaro era apontado como o proprietário do fundo que investiria no clube. À época, a participação do fundo estava registrada em nome da Trustree DTVM, empresa do ex-sócio do Master Maurício Quadrado.

Atualmente, Vorcaro possui participação de 26% na Galo Holding, responsável pela gestão do Atlético-MG. Os outros sócios são Rubens Menin e Rafael Menin, que detêm a maior parte da SAF — cerca de 55%.

Em nota, a defesa de Vorcaro informou que não vai se manifestar. Já o clube afirmou que a Galo Forte, empresa do banqueiro, é um veículo devidamente constituído e regular, mas que o Atlético-MG não participa de sua gestão, “tampouco tem ingerência sobre sua estrutura, cotistas ou operações financeiras”.

“O Atlético ressalta que todos os aportes realizados na SAF seguiram os procedimentos legais, contratuais e de governança aplicáveis, tendo como contraparte a Galo Holding e seus veículos de investimento, sem qualquer envolvimento do Clube em decisões ou movimentações de natureza bancária, financeira ou investigativa relacionadas a terceiros”, cita a nota, mencionando ainda que Vorcaro foi afastado das atividades do clube.

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Busca e apreensão

O banqueiro Daniel Vorcaro foi alvo da Polícia Federal na segunda fase da Operação Compliance 2.0, por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, relator do caso.

Além dele, o pai, a irmã, o cunhado e um primo estiveram entre os alvos das buscas, todos suspeitos de envolvimento em operações financeiras fraudulentas ligadas ao Banco Master.

Parte das diligências ocorreu em endereços localizados na Avenida Faria Lima, um dos principais centros financeiros do país.

Outro lado

A defesa de Vorcaro foi procurada pelo Metrópoles, mas não havia se manifestado até a publicação desta reportagem. O espaço está aberto.

Já o Atlético-MG, por meio de nota, alegou que “todos os aportes realizados na SAF seguiram os procedimentos legais, contratuais e de governança aplicáveis, tendo como contraparte a Galo Holding e seus veículos de investimento, sem qualquer envolvimento do Clube em decisões ou movimentações de natureza bancária, financeira ou investigativa relacionadas a terceiros”.

O clube informou ainda que “Daniel Vorcaro foi afastado do Conselho de Administração da SAF no último mês, conforme comunicado oficial divulgado, não exercendo qualquer função estatutária, administrativa ou de governança na SAF do Atlético. O Clube permanece acompanhando os desdobramentos do caso, à disposição das autoridades competentes”.

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