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Brasil

Master: Mendonça decide destino de Vorcaro na próxima semana

Após ter duas delações recusadas, banqueiro pode voltar para a Papuda. A tendência, no entanto, é de o STF o mantenha na cela especial da PF

20/06/2026 05:00
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VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto
Foto colorida mostra André Mendonça, ministro do STF - Metrópoles

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidirá, na próxima semana, o local de cumprimento da prisão preventiva de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

O banqueiro, que está na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, pode ser transferido novamente para o Complexo Penitenciário da Papuda. A tendência, segundo apurou o Metrópoles, é de que o empresário siga na cela da PF por tempo indeterminado.

A avaliação é de que a Papuda, administrada pelo Governo do Distrito Federal (GDF), possa oferecer riscos à integridade física de Vorcaro devido à superexposição do caso e ao temperamento dele.

Na semana passada, ao rejeitar pela segunda vez a proposta de delação do investigado, a Polícia Federal sugeriu a Mendonça que Vorcaro deixe a sala da Superintendência da corporação.

O magistrado mandou a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestar sobre o pedido. No entanto, a expectativa é que o ministro decida pela permanência do banqueiro na sala vip da PF.

Outro motivo para a possível permanência de Vorcaro na Superintendência é para que fique aberta a possibilidade de uma terceira delação. Apesar de o próprio André Mendonça afirmar que não faz questão da colaboração do empresário na investigação, a defesa pretende apresentar uma nova proposta para análise dos investigadores.


A trajetória de Vorcaro na prisão

  • Daniel Vorcaro foi preso pela primeira vez em 18 de novembro de 2025, no Aeroporto Internacional de Guarulhos.
  • O banqueiro ficou detido por quase uma semana na Superintendência da PF em São Paulo, até ser transferido para o Centro de Detenção Provisória (CDP II) de Guarulhos.
  • Em 29 de novembro de 2025, o Tribunal Regional Federal (TRF-1) Direito determinou que Vorcaro deixasse o presídio e cumprisse medidas cautelares, como uso de tornozeleira eletrônica e prisão domiciliar.
  • Em 4 de março deste ano, Vorcaro voltou a ser preso. Ele passou pelo CDP de Guarulhos e o Complexo de Potim II, até ser transferido para Brasília.
  • Em 6 de março, o banqueiro foi levado à Penitenciária Federal de Brasília.
  • Em 19 do mesmo mês, assinou um termo de confidencialidade com a PF e a PGR e foi encaminhado para a Superintendência da PF.
  • No local, passou a receber visitas diárias de advogados para tratar da proposta de delação premiada.
  • Em 20 de maio, a primeira tentativa de acordo foi rejeitada. Em 11 de junho, as autoridades recusaram, mais uma vez, a colaboração do banqueiro.
  • A cela especial na PF é equipada com ar-condicionado, banheiro privativo, frigobar, armário e janela para o jardim da corporação. O local também facilita o acesso dos advogados.

Com a segunda rejeição da proposta de delação, a PF afirma não ver mais sentido para a permanência de Vorcaro no Superintendência. Para os investigadores, o local não é adequado para manter um investigado como o empresário por muito tempo. Eles também consideram que o sistema penitenciário é melhor para garantir a segurança do detento.

Para uma ala da PF, Vorcaro também poderia ir para o presídio do 19º Batalhão de Polícia Militar de Brasília, a Papudinha. O local, no entanto, abriga o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa — envolvido nas mesmas investigações que o dono do Master.

O executivo também negocia uma delação premiada com os investigadores e é considerado um dos principais personagens da fraude bilionária do Master.

Paulo Henrique Costa foi preso na 4ª fase da Operação Compliance Zero acusado de receber R$ 146 milhões de propina para favorecer interesses do banco de Vorcaro em negócios com o BRB.

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Fotos mostram o senador Ciro Nogueira ao lado do banqueiro Daniel Vorcaro
Vorcaro pode tentar terceira delação premiada com a PF e com a PGR
André Mendonça é o relator do caso Master no STF
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André Mendonça é o relator do caso Master no STF

KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo
Fotos mostram o senador Ciro Nogueira ao lado do banqueiro Daniel Vorcaro
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Fotos mostram o senador Ciro Nogueira ao lado do banqueiro Daniel Vorcaro

Reprodução/ PF
Vorcaro pode tentar terceira delação premiada com a PF e com a PGR
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Vorcaro pode tentar terceira delação premiada com a PF e com a PGR

Reprodução/ YouTube

Operação continua

Nessa quinta-feira (18/6), a PF deflagrou a nona fase da Operação Compliance Zero para apurar suspeitas de participação de agentes públicos em irregularidades envolvendo instituições financeiras.

Entre os alvos, o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do partido no Senado, suspeito de receber um apartamento e repasses milionários para favorecer o Master no Congresso.

Além do parlamentar, a PF também mirou o banqueiro Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Vorcaro e dono do Banco Pleno, também liquidado pelo Banco Central.

Segundo os investigadores, os elementos reunidos mostram indícios suficientes de crimes graves como corrupção ativa, corrupção passiva, lavagem de dinheiro, organização criminosa e delitos financeiros conexos. Novas fases da operação também não estão descartadas.

Relembre as fases da operação

  • 1ª Fase: 18 de novembro de 2025 – Focada em crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, resultou na primeira prisão do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.
  • 2ª Fase: 14 de janeiro de 2026 – Cumpriu mandados de busca e apreensão e bloqueio de bens, além da detenção de investigados que tentavam fugir para Dubai.
  • 3ª Fase: 4 de março de 2026 – Nova determinação de prisão de Daniel Vorcaro e descoberta da “milícia privada” do banqueiro.
  • 4ª Fase: 18 de junho de 2026 – Investigou a participação de agentes públicos no esquema.
  • 5ª Fase: 7 de maio de 2026 – Focada em investigar o núcleo político. Teve como um dos alvos o senador Ciro Nogueira (PP-PI).
  • 6ª Fase: 14 de maio de 2026 – Atingiu a ala tecnológica da organização criminosa e investigou a continuidade de espionagem ilegal.
  • 7ª Fase: 19 de maio de 2026 – Apurou crimes de violação de sigilo funcional por parte de um perito da Polícia Federal.
  • 8ª Fase: 26 de maio de 2026 – Investigou a atuação de autoridades públicas e transferências de fundos estaduais. O ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) foi um dos alvos.
  • 9ª Fase: 18 de junho de 2026 – Autorizada pelo STF, investigou a suposta atuação do senador Jaques Wagner (PT-BA) para defender interesses do Master.

Nesta semana, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, se manifestou contra a concessão de prisão domiciliar a Daniel Vorcaro.

Na manifestação encaminhada pelo procurador-geral ao ministro André Mendonça, o PGR também se posicionou contra a nova versão da proposta de delação premiada do empresário.

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