Após reclamar de "boletos", enteado de Wagner recebeu R$ 3,5 milhões
Augusto Lima e Eduardo Sodré relataram dificuldades financeiras depois que BC rejeitou a compra do Master. Senador foi alvo de operação

Uma troca de mensagens entre o enteado do senador Jaques Wagner (PT-BA), Eduardo Sodré Martins, e o banqueiro Augusto Ferreira Lima mostrou a preocupação dos dois um dia após o Banco Central rejeitar a compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB), em 2025.
Nas conversas, Eduardo reclama que tem “boletos para pagar” e que eles são “altos”. Em resposta, Augusto Lima afirma que o cenário estava “crítico”.
A conversa ocorreu em 4 de setembro de 2025. No dia anterior, o Banco Central vetou a compra do Banco Master BRB. A autoridade monetária barrou a operação bilionária citando riscos envolvendo os ativos da instituição.
“No eixo da BN Financeira Ltda., Augusto figura como destinatário das cobranças de Eduardo Mendonça Sodré Martins. Em 04/09/2025, Eduardo teria afirmado: ‘Amanhã vence os boletos e são altos’. Em resposta, Augusto afirmou que o cenário estava ‘crítico’ e vinculou a dificuldade financeira ao insucesso da operação Banco Master/BRB, sugerindo inclusive que se cancelasse a nota para posterior emissão”, diz trecho do relatório da PF.
Pouco mais de um mês após a conversa, foram transferidos R$ 3,5 milhões para a empresa do enteado de Jaques Wagner.
“Em 17/10/2025, a operação foi concluída com transferência de R$ 3.500.000,00 à BN Financeira LTDA., feita pela PKL One Participações S.A., empresa vinculada ao núcleo de Augusto”, diz o documento.
Enteado do senador Jaques Wagner, Eduardo geria a BN Financeira Ltda. Segundo a investigação, a empresa recebeu R$ 3,5 milhões da PKL One e teve suas atividades suspensas.
Augusto Lima era o gestor ligado ao Banco Master e o principal interlocutor privado de Jaques Wagner.
Ele é descrito pelos investigadores como a figura central na entrega de vantagens, coordenando desde o uso de jatos até a operacionalização financeira para a compra do imóvel indicado pelo senador e os repasses para a BN Financeira.
Nova fase
A nova etapa da Operação da PF apura suspeitas de participação de agentes públicos em irregularidades envolvendo instituições financeiras.
Além de Jaques Wagner, a PF também mira o banqueiro Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Vorcaro e dono do Banco Pleno, também liquidado pelo Banco Central.
Segundo os investigadores, os elementos reunidos mostram indícios suficientes de crimes graves como corrupção ativa, corrupção passiva, lavagem de dinheiro, organização criminosa e delitos financeiros conexos.

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