Mandetta admite tensão com Bolsonaro, mas ele fica – por enquanto

Ministro da Saúde tentou minimizar estresse com presidente. Chefe da Casa Civil, general interveio: "Não tem opção de demissão. No momento"

Ministros Luiz Henrique Mandetta e da Casa Civil, Braga NettoReprodução

atualizado 30/03/2020 18:57

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, não negou a existência de tensão com o presidente Jair Bolsonaro e com membros de outras pastas devido às orientações de isolamento social para minimizar a sobrecarga do sistema de saúde gerada pela crise do coronavírus. Pouco antes de Mandetta responder, o ministro da Casa Civil, general Walter Braga Netto, se adiantou e afirmou que não existia hipótese de demitir o ministro da Saúde, que estava ao lado dele na entrevista. Mas emendou: “No momento”.

Mandetta retomou o microfone e emendou, com um leve sorriso: “Em política, quando a gente diz que não existe é porque existe”.

“As tensões são normais pelo tamanho desta crise”, disse o titular da Saúde, que insistiu em defender manutenção do foco “técnico”, científico” das ações do governo, apesar da postura contrária do presidente, que tem quebrado o isolamento cotidianamente e incentivado as pessoas a saírem às ruas como forma de minimizar crise econômica devido ao vírus.

“Não vamos perder o foco. O foco é um vírus corona novo que derrubou o sistema mundial. Ele é mais dramático do que as guerras mundiais, do que qualquer coisa anterior”, disse Mandetta. “Seria muito pequeno da minha parte eu achar que isto é um grande problema, que este é o meu grande problema”, disse Mandetta em entrevista coletiva nesta segunda-feira (30/03), no Palácio do Planalto.

Mais cedo, o ministro havia participado no Planalto de uma reunião com o comitê de crise do coronavírus, coordenado por Braga Netto. O propósito do encontro foi coordenar ações da área da saúde e da economia para não haja uma disparidade muito grande de medidas diante da necessidade do isolamento da população. Ao fim da reunião, o governo inaugurou uma nova forma de divulgar as ações, integrando outras pastas também envolvidas nas ações contra a pandemia.

A tese de Bolsonaro

Em mais de uma ocasião, o presidente contradisse as recomendações do Ministério da Saúde. O principal vetor dessa contradição tem sido o próprio presidente da República, que tem ignorado as orientações do Ministério da Saúde e de organismos internacionais, como a Organização Mundial da Saúde (OMS), que recomenda o isolamento social como forma de minimizar os efeitos da pandemia no sistema de saúde.

No domingo, contrariando as recomendações de ficar em casa, Bolsonaro visitou ao menos três pontos do Distrito Federal, onde conversou com comerciantes e consumidores. “Esse isolamento horizontal, se continuar assim, com a brutal quantidade de desemprego que vem pela frente, teremos um problema seríssimo, que vai levar anos para resolver”, disse ao presidente às pessoas que se afirmou Bolsonaro ao público que o assistia.

O presidente chegou a divulgou no Twitter vídeos gravados durante o giro. A plataforma apagou uma das gravações, argumentando que o conteúdo violava suas regras.
O Twitter anunciou recentemente que passou a deletar posts que possam ampliar os riscos de transmissão da covid-19 e que destoem das orientações de profissionais de saúde.

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