
Mandato de 8 anos e magistrados de carreira: Cury defende reforma no STF.
Cury propõe fim da vitaliciedade dos ministros e diz que Senado deve manter a palavra final sobre as indicações à Corte

O candidato à Presidência Augusto Cury (Avante) defendeu, em entrevista ao Metrópoles, nesta segunda-feira (17/8), uma reforma no Supremo Tribunal Federal (STF), com o fim da vitaliciedade dos ministros e a adoção de mandatos de oito anos.
Pela proposta de Cury, dois terços dos integrantes da Corte seriam magistrados de carreira. Ele também defendeu que os indicados não tenham ocupado cargos políticos nem sido filiados a partidos nos cinco anos anteriores à escolha.
“Primeiro, fim da vitaliciedade. Oito anos e ele vai embora, para nunca mais voltar. Segundo, dois terços têm que ser magistrados de carreira. E não pode, nos últimos cinco anos, ter exercido nenhum cargo político ou sido filiado a um partido”, afirmou.
Apesar da mudança no processo, o candidato defendeu a manutenção da participação do Senado, que, segundo ele, deveria ter a palavra final sobre as indicações.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles“O Senado deveria participar chancelando? Sem dúvida alguma. O Senado precisa chancelar, averiguar, para que não haja corporativismo dessas áreas”, disse.
O candidato também criticou o que chamou de “espetacularização” dos julgamentos do Supremo. Para ele, os votos dos ministros deveriam continuar sendo públicos, mas não necessariamente apresentados de forma integral e televisionada.

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Cury defendeu ainda uma relação mais equilibrada entre Executivo, Legislativo e Judiciário. Segundo ele, nenhuma das instituições deve ocupar uma posição de superioridade em relação às demais.
“Eu sei que eu sou lido por vários ministros ali, tenho muito respeito pela Corte, mas não pode haver uma Suprema Corte, um super, um pilar superior aos demais. A Justiça, o Parlamento e o Executivo têm que estar em completa harmonia”, afirmou.
O candidato disse que, caso eleito, pretende convocar representantes dos três Poderes para um pacto de governabilidade.
“E eu chamaria todos eles para um pacto, para que possamos governar este país de maneira adequada e justa”, declarou.
Conflito de interesses
Durante a sabatina, Cury também foi questionado sobre seus investimentos em áreas como agricultura, energia renovável e terras raras e se pretende se afastar dos negócios caso seja eleito.
O candidato afirmou que deixaria completamente suas atividades empresariais e defendeu que integrantes do governo não tenham projetos ou ganhos pessoais relacionados ao exercício do cargo.
“Sem dúvida alguma, [vou me] afastar completamente. Porque um presidente é apenas um empregado da sociedade, pelo voto, por um prazo determinado para ser despedido”, afirmou.
Segundo Cury, eventual governo teria como prioridade ouvir famílias e especialistas de diferentes áreas. “Vou chamar muitas pessoas que têm a contribuir e vou dizer claramente: zero de projetos pessoais ou ganhos secundários, senão está fora do governo”, disse.
Quem é Augusto Cury
Augusto Jorge Cury, de 67 anos, é médico psiquiatra, professor e escritor. Natural de Colina, no interior de São Paulo, é conhecido principalmente por livros sobre comportamento, desenvolvimento pessoal e saúde emocional.
Esta é a primeira vez que Cury participa de uma eleição. O escritor e psiquiatra foi oficializado pelo Avante como candidato à Presidência da República, tendo o ex-deputado federal e o advogado Júlio Delgado como vice na chapa.
Com discurso contrário à polarização, Cury apresenta propostas de mudanças no sistema político, como a adoção do semipresidencialismo. O plano também prevê medidas nas áreas de educação e economia e alterações na composição e no modelo de escolha dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), incluindo a adoção de mandatos de oito anos.




















