“Mamãe, fica comigo”, foram as últimas palavras de menino morto no RJ

Mãe de Kevin Lucas dos Santos, de 6 anos, conta os últimos momentos da criança antes de ser atingida por tiro disparado pela PM

atualizado 07/01/2022 17:58

Ana Cláudia dos Santos, mãe do menino Kevin Lucas dos Santos, de 6 anos, morto baleado no RJAline Massuca/Metropoles

Rio de Janeiro – “Mamãe, não vai não. Fica comigo.” Essas foram as últimas palavras que Ana Cláudia Oliveira dos Santos, de 27 anos, ouviu do filho, Kevin Lucas dos Santos Silva, de 6 anos, morto por um tiro em Queimados, na Baixada Fluminense, no Rio.

“As últimas palavras do meu filho foram ‘mamãe, não vai não. Fica comigo’. Ele falou isso três vezes. Eu tinha ido buscar minhas roupas para vender, eu vendo roupas. Ele nunca fez isso”, contou a mãe da criança ao Metrópoles.

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Kevin estava perto de casa e ajudava na mudança de um vizinho, quando acabou atingido por um tiro no peito – na área conhecida como Morro da Torre, no bairro da Inconfidência. Segundo Ana Cláudia, a Polícia Militar negou o socorro ao seu filho.

O tiroteio aconteceu por volta das 15h dessa quinta-feira (6/1) e deixou outras duas meninas baleadas. Os familiares acusam a PM de ter atirado nas crianças e negam que havia algum confronto no local.

“O sentimento é de dor, uma revolta, um ódio que ninguém vai trazer meu filho de volta. Isso não vai ficar assim, é uma covardia. Eu não quero dinheiro do governo, nada vai suprir a dor que eu estou sentindo e não vai trazer meu filho de volta. Eu quero justiça, mais nada”, afirmou a mãe do menino de 6 anos. (veja o vídeo).

“Criança doce e amorosa”

A mãe de Kevin Lucas estava desolada. Na porta do Instituto Médico Legal, para liberar o corpo da criança, Ana Cláudia falou que o filho era “um menino doce e amoroso”.

“Meu filho era uma criança maravilhosa, sem palavras para dizer o que ele era. Era uma criança tão doce, tão amorosa. Onde ele chegava, abraçava, beijava, brincava”, contou a mãe, antes de desabafar:

“É um sentimento que nunca vai ter fim. Ele sempre foi guerreiro e forte, acabou… Eu só quero meu filho de volta.”

O sepultamento ocorrerá na tarde dessa sexta-feira (7/1), no Cemitério Carlos Sampaio, no bairro de Austin, em Nova Iguaçu, a partir das 16h.

Versão da PM

Em nota, a Polícia Militar informou que “policiais do 24º Batalhão da PM estavam em patrulhamento na Estrada do Riachão, um dos acessos à comunidade da Torre, quando foram atacados por criminosos da região”.

Ainda de acordo com a corporação, os policiais envolvidos na ocorrência alegam que não fizeram disparos. “A equipe relatou que desembarcou da viatura, buscou abrigo e não efetuou disparos”.

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