Mais de 30 deputados argentinos repudiam Milei por ataques a Lula
Em documento, parlamentares criticaram declarações de presidente contra o Brasil durante ato com Flávio Bolsonaro

Um grupo de mais de 30 deputados argentinos assinaram, até o início da tarde desta terça-feira (28/7), um documento para repudiar os ataques do presidente da Argentina, Javier Milei, contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
O texto, apresentado pelo deputado kirchnerista Jorge Taiana (foto em destaque), expressa “enérgico repúdio aos episódios e às calúnias e injúrias violentas emitidas” pelo chefe do Executivo e cita “uma grave afetação das relações diplomáticas bilaterais e da política exterior da nação (argentina)”.
Milei desembarcou em São Paulo, no fim de semana passado, para participar do lançamento da candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e distribuiu ataques contra o presidente brasileiro, que foi chamado por ele de “ladrão” e “presidiário”, e ao ministro Alexandre de Moraes, xingado de “lixo careca”.
O repúdio dos parlamentares diz que as declarações de Milei “extremamente graves” feitas pelo presidente argentino contra autoridades brasileiras em São Paulo.
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Ver todasOs deputados manifestam “profunda preocupação” por ingerência de Milei nos assuntos internos e no processo político brasileiro, “vulnerando os princípios fundamentais do direito internacional”. Segundo eles, o episódio coloca em risco a convivência pacífica e os laços históricos de cooperação entre os países.
“As declarações de Milei nos envergonham como argentinos”, afirmou o líder da iniciativa no Congresso, o deputado opositor Jorge Taiana.
Até o momento, o documento foi assinado por 33 deputados do peronismo e do progressismo argentino. Entre as assinaturas estão as dos ex-ministros da Educação, Nicolás Trotta, das Relações Exteriores, Santiago Cafiero, e da Defesa, Agustín Rossi.
Entenda
- Javier Milei viajou ao Brasil para participar de ato de candidatura de Flávio Bolsonaro.
- Presidente argentino xingou o presidente Lula e o ministro Alexandre de Moraes.
- Deputados repudiaram ato de Javier Milei.
- Advogados também apontam que Milei usou dinheiro público para participar de evento partidário.
- Ato de Milei agravou crise diplomática entre os países.
Uso de dinheiro público
Milei foi denunciado por dois advogados argentinos por suspeita de ter usado dinheiro público para vir ao Brasil participar do ato que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República, em São Paulo.
A representação criminal, assinada por José Lucas Magioncalda e Juan Martín Fazio, aponta que Milei teria cometido os delitos de descumprimento de dever como funcionário público e mau uso dos recursos.
Segundo o documento, o chefe do Executivo teria usado o avião presidencial, assim como verbas do Estado e uma comitiva de funcionários do governo, para um evento de caráter partidário, sem ser uma agenda oficial no país.
A situação agravou a crise diplomática entre Brasil e Argentina.
“Quem é esse cara?”
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ironizou, nessa segunda-feira (27/7), as declarações feitas pelo presidente da Argentina durante passagem pelo Brasil. Ao ser questionado sobre as falas do argentino, Lula respondeu: “Eu? Quem é esse cara?”.
A declaração foi dada minutos antes de Lula receber o presidente da Coreia do Sul, Lee Jae Myung, em cerimônia no Palácio do Itamaraty.











