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Brasil

Mãe que cobrava direitos dos filhos autistas acusa vereador de ofendê-la.

Maria Oliveira relata que o vereador Djalma Da Saúde a chamou de “descompensada” e “gentinha” durante sessão em Catende (PE)

27/08/2026 16:39

Uma mulher identificada como Maria Oliveira, de 34 anos, mãe de duas crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), acusa o vereador Djalma da Saúde (PSDB) de tê-la ofendido de “palhaça”, “descompensada” e “gentinha” durante sessão da Câmara Municipal de Catende, em Pernambuco, na terça-feira (25/8). O momento foi transmitido ao vivo pela TV Mata Sul.

Segundo relato feito ao Metrópoles, Maria cobrava atendimento para os filhos na Secretaria de Pessoas com Deficiência do município. A pasta é comandada por Vanine Rodrigues da Silva, apontada como esposa do vereador.

Durante a sessão, ela interrompeu a fala do parlamentar para reivindicar os direitos das crianças. A sessão chegou a ser interrompida e, na retomada, Djalma fez críticas à mãe e a outras pessoas que participavam das cobranças.

Instantes depois, o vereador apresentou um print de uma conversa com Maria. Segundo ele, a mãe o havia procurado pela última vez em 16 de abril para informar que se mudaria de Catende para Recife. Na ocasião, ainda de acordo com o parlamentar, ela teria dito que outra criança com TEA poderia ocupar a vaga que seria deixada pela filha.

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Djalma afirmou também que o município dispõe de apenas 400 vagas, enquanto cerca de 800 crianças com algum tipo de necessidade especial vivem na cidade. O vereador disse, ainda, que já esperava que Maria fosse à tribuna para denunciar a situação. Durante a sessão, Maria disse que, ao procurar vagas para os dois filhos, teve “a porta fechada na cara”.

“Essa questão do BPC, de algumas mães, talvez como essa descompensada que saiu aqui, se usa o dinheiro do BPC de uma forma correta, de uma forma que dê assistência à criança”, disse o vereador. Ele afirmou ainda que não se intimidaria e acusou o grupo de usar benefícios sociais para fazer manifestações.

Em seguida, o parlamentar mencionou uma ação chamada por ele de “caravana do autismo” e disse ter documentos e procurações de mães atendidas pela iniciativa. Segundo ele, a mobilização teria ajudado famílias a conseguir laudos, atendimento especializado e o Benefício de Prestação Continuada (BPC).

Maria disse que teve uma crise de ansiedade após as falas. Ela afirma, ao sair da tribuna, foi chamada de “palhaça”, “descompensada” e “gentinha” e que teria sido paga por políticos para participar realizar o protesto.

“Ele está me acusando de ser comprada por Caio e Bilu. Em momento nenhum fui paga ou recebi propina de político. Eu estava no meu direito e tenho direito de cobrar”, afirmou.

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Transporte escolar

Entre as queixas está a falta de suporte no transporte escolar para uma das filhas, diagnosticada com TEA. Maria afirma que pediu que o ônibus buscasse a criança na porta de casa, mas teria recebido negativa do motorista e, depois, da monitora.

Ela diz que procurou diversas vezes a secretária Vanine para relatar as dificuldades, mas não foi atendida.

Abalada, Maria afirma que pretende continuar cobrando os direitos dos filhos e buscar medidas legais.

“Eu não gostei porque ele me humilhou. Ele se diz pai atípico de uma criança autista como eu, mas não se coloca no meu lugar. Estou abalada psicologicamente porque ele me ofendeu e me fez sentir que eu não era ninguém”, relatou.

Ainda segundo Maria, moradores organizam uma caminhada em protesto contra as falas do vereador. Ela também pretende procurar o Ministério Público de Pernambuco (MPPE).

A prefeita de Catende, Dona Graça, não havia se manifestado sobre o caso até a publicação desta reportagem.

O Metrópoles tentou contato com o vereador Djalma da Saúde, com a Câmara Municipal de Catende e com a prefeita Dona Graça. O espaço permanece aberto.