Eleição 2026

Lula retorna em meio a tragédia climática e com pendências políticas

De volta a Brasília, presidente deve conversar com ministros sobre candidaturas e bater o martelo sobre projeto de lei do fim da escala 6×1

atualizado

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Luis Nova/Especial Metrópoles @LuisGustavoNova
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1 de 1 presidente-lula-2 - Foto: Luis Nova/Especial Metrópoles @LuisGustavoNova

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desembarca em Brasília nesta quarta-feira (25/2), após cerca de uma semana de compromissos na Ásia, e retoma a agenda doméstica com prioridades políticas e de gestão de crise. De volta ao Palácio do Planalto, o chefe do Executivo deve tratar de articulações eleitorais nos estados para o pleito de outubro, avançar em negociações com o Congresso Nacional e coordenar as ações federais nos municípios da Zona da Mata, em Minas Gerais, atingidos por fortes chuvas nos últimos dias.

A tragédia deixou ao menos 30 mortos e 39 desaparecidos em Juiz de Fora e Ubá e há alerta para novos temporais nos próximos dias. Segundo aviso do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), válido até esta sexta-feira (27/2), às 23h59, regiões como Zona da Mata, Vale do Rio Doce e Sul e Sudoeste de Minas podem registrar acumulados superiores a 100 milímetros de chuva por dia, com alto risco de desabamentos, alagamentos e enchentes.

Nessa terça-feira (24/2), o presidente em exercício e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin (PSB), anunciou que o governo destinará auxílio de R$ 800 individual para pessoas desabrigadas pelas fortes chuvas que atingiram oito municípios da região.

O ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, o secretário nacional de Proteção e Defesa Civil, Wolnei Wolff Barreiros, e o ministro da Saúde em exercício, Adriano Massuda, além de representantes do Exército e do Ministério da Defesa, estão na região representando o governo federal. Se for necessário, porém, Lula irá até o local.

Vale lembrar que, em 2022, Juiz de Fora, a quarta cidade mais populosa do estado, foi o maior município mineiro em que Lula saiu vitorioso das urnas. Ele somou 180.954 votos (56,09% dos votos válidos). A vitória reforçou a tendência de apoio ao PT que se mantém na cidade há mais de três décadas. A prefeita da cidade, Margarida Salomão (PT), foi eleita no primeiro turno em 2024.
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Casas foram destruídas e a estimativa é de que haja mais de 400 desabrigados
Casas foram destruídas e a estimativa é de que haja mais de 400 desabrigados
Temporais causam estragos em Minas
Destruição na Zona da Mata
Chuvas em Minas
Destruição em Minas
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Destruição em Minas

Corpo de Bombeiros de MG/ via AFP
Casas foram destruídas e a estimativa é de que haja mais de 400 desabrigados
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Casas foram destruídas e a estimativa é de que haja mais de 400 desabrigados

CBMG-MG/Divulgação
Casas foram destruídas e a estimativa é de que haja mais de 400 desabrigados
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Casas foram destruídas e a estimativa é de que haja mais de 400 desabrigados

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Temporais causam estragos em Minas
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Temporais causam estragos em Minas

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Temporais causam estragos em Minas
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O cenário é de caos e destruição em Juiz de Fora
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O cenário é de caos e destruição em Juiz de Fora

Reprodução/TV Globo
O Corpo de Bombeiros se mobiliza para buscar vítimas
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O Corpo de Bombeiros se mobiliza para buscar vítimas

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Um prédio chegou a desabar em Ubá após a forte tempestade
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Um prédio chegou a desabar em Ubá após a forte tempestade

Reprodução TV Globo

Entenda

  • Após viagem à Ásia, Lula  retoma a agenda interna com foco na resposta federal às chuvas na Zona da Mata, em Minas Gerais, que deixaram mortos e desaparecidos em Juiz de Fora e Ubá. A região está sob alerta nos próximos dias.
  • O governo anunciou auxílio de R$ 800 por desabrigado, medida comunicada pelo presidente em exercício Geraldo Alckmin, enquanto ministros e equipes federais atuam na região.
  • No Congresso, Lula deve avançar na indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal e negociar pautas como a redução da jornada de trabalho 6×1, além de reforçar a articulação com líderes do Senado.
  • No campo eleitoral, o presidente deve buscar acelerar definições de palanques em estados-chave, com impasses envolvendo os ministros Fernando Haddad e Simone Tebet, e o senador Rodrigo Pacheco.

Assuntos com o Congresso

Entre os tópicos que ficaram para depois da viagem está o envio da mensagem ao Senado que formaliza a indicação do chefe da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, para a vaga do ministro Luís Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal (STF). O texto precisa ser encaminhado pela Presidência para iniciar os trâmites da sabatina pelos senadores.

Lula anunciou a indicação de Messias em novembro de 2025 e desde então vem segurando o envio da mensagem por receio que o nome não fosse aprovado. O ministro enfrentou resistência por parte dos senadores, que preferiam Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para a vaga. Recentemente, com a reaproximação entre Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), o cenário passou a ser mais favorável. O AGU precisa de ao menos 41 dos 81 votos no Senado para assumir a cadeira.

Nesse sentido, o titular do Executivo também deve agendar um jantar com líderes do Senado com o objetivo de aprimorar a relação e pavimentar a aprovação de pautas prioritárias no Congresso. O presidente promoveu um encontro semelhante com líderes da Câmara no início de fevereiro. Ficou acordado que a confraternização com lideranças da Casa Baixa ocorreria após o Carnaval.

Ainda sobre a relação com o Congresso, Lula precisa definir se o governo vai enviar um projeto de lei próprio para tratar do fim da escala 6×1 — em que se trabalha seis dias e descansa um. A pauta avançou na Câmara dos Deputados e o presidente Hugo Motta (Republicanos-PB) sinalizou que a votação poderia ser concluída ainda no primeiro semestre deste ano.

Atualmente, os deputados analisam propostas de autoria de Erika Hilton (PSol-SP) e Reginaldo Lopes (PT-SP), que buscam reduzir a jornada de trabalho no país. O governo ainda estuda enviar um novo texto que unifique as propostas em tramitação. O martelo deve ser batido com o retorno do presidente a Brasília.

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Fernando Haddad concorrerá pelo PT ao governo de SP em 2026
Ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet
AGU deverá enfrentar temas polêmicos na sabatina do Senado
Davi Alcolumbre e Hugo Motta
Lula e Alckmin
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Fernando Haddad concorrerá pelo PT ao governo de SP em 2026
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Fernando Haddad concorrerá pelo PT ao governo de SP em 2026

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Ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet
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Ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet

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AGU deverá enfrentar temas polêmicos na sabatina do Senado
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AGU deverá enfrentar temas polêmicos na sabatina do Senado

VINÍCIUS SCHMIDT/ METRÓPOLES @vinicius.foto
Davi Alcolumbre e Hugo Motta
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Davi Alcolumbre e Hugo Motta

VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES

Palanques

Além das pautas no Congresso, há a expectativa de que Lula acelere as conversas sobre a formação dos palanques nos estados. A cerca de seis meses para o início da campanha eleitoral, o petista ainda enfrenta um cenário indefinido em dois dos maiores colégios eleitorais do país: Minas Gerais e São Paulo.

O presidente pressiona pela candidatura do senador Rodrigo Pacheco ao governo mineiro, mas o parlamentar ainda faz mistério sobre seu futuro político. Ele tem conversado com partidos como o União Brasil e o MDB para viabilizar a possível candidatura.

Já em São Paulo, a indefinição gira em torno dos nomes do ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), e do vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB), vistos como favoritos a disputar o Palácio dos Bandeirantes com apoio de Lula.

Em reunião dos diretórios nacional e estadual do PT em SP, no início da semana, lideranças do partido defenderam que o titular da Fazenda entre na corrida e que decida seu futuro político o mais rápido possível. Entretanto, Haddad resiste e tem dito que prefere coordenar a campanha de reeleição de Lula.

Alckmin também já sinalizou que não pretende se lançar à disputa estadual e quer permanecer como vice na chapa à Presidência. Diante da resistência dos dois principais cotados para o cargo, o nome do Simone Tebet (MDB) surge como alternativa. O presidente deve se reunir com a ministra do Planejamento para definir a candidatura.

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