Lula: guerra que quero com Trump é a guerra da narrativa e da verdade
Lula disse nesta sexta (17/7) que Trump “vai ter que aprender a fazer guerra” com a “arma da palavra”. “Nós aqui somos da paz”, declarou ele

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (17/7) que não deseja conflitos armados com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mas, sim, uma “guerra de narrativa e da verdade” em torno da tarifa de 25% imposta a produtos brasileiros exportados.
Segundo o chefe do Executivo, o líder norte-americano “vai ter que aprender a fazer guerra” com a “arma da palavra”. Lula também destacou que já reiterou ao republicano que o Brasil “quer paz”.
“Eu já falei três vezes ao presidente Trump que o Brasil não tem nenhum interesse em fazer guerra, nós aqui somos da paz. Agora, a guerra que eu quero fazer com ele é a guerra da narrativa, é a guerra da verdade. Eu quero provar ao mundo quem é que está dizendo a verdade nessa guerra tarifária entre Brasil e Estados Unidos. Então, ele vai ter que aprender a fazer guerra com outra arma, que é a arma da palavra”, disse Lula durante visita ao Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into), no Rio de Janeiro (RJ).
Assim como declarou mais cedo, em outra agenda na capital fluminense, o presidente destacou que aguardará uma manifestação direta de Trump sobre o tarifaço antes de comentar o tema. Ele já havia encerrado o evento quando resolveu retornar ao microfone e se dirigir à imprensa.

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Ver todas“Não falei do tarifaço, porque até agora o Trump não falou do tarifaço. Quem falou do tarifaço foi o pessoal do segundo escalão dele, e o meu pessoal já respondeu hoje. Quando o Trump falar, eu vou falar. De presidente para presidente da República”, ressaltou.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesDurante visita à Carreta de Saúde da Mulher, na Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP), no Rio, Lula ressaltou que o Brasil “não aceita desaforo” de outros países.
“Este país precisa estar de cabeça erguida, porque não aceitamos que nenhum outro país do mundo faça desaforo para o Brasil. Nós queremos respeito, da mesma forma que vamos respeitar todo mundo”, disse.
Tarifaço
O governo Lula rejeita os argumentos do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), avalia que não há justificativa para a adoção das sanções econômicas e aponta motivação política na medida.
Estimativas da gestão federal indicam que a tarifa afetará cerca de 18% das exportações brasileiras aos EUA, o equivalente a US$ 7,4 bilhões. Entre os produtos atingidos, estão: etanol, máquinas agrícolas, calçados, vestuário, açúcar, papel e diversos itens químicos. Outros cerca de 2 mil produtos ficaram fora da decisão.
Após o anúncio, o governo informou que pretende reforçar o Plano Brasil Soberano — criado para apoiar empresas impactadas pelas tarifas — e estuda, com cautela, a aplicação da Lei de Reciprocidade. Auxiliares do presidente analisam formas de implementar a medida sem provocar efeitos negativos na economia brasileira.



