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Brasil

Lula diz aguardar fala de Trump sobre tarifaço: "Brasil não aceita desaforo"

EUA decidiu taxar produtos brasileiros em 25% após investigação do USTR sobre práticas comerciais brasileiras

17/07/2026 15:00, atualizado 17/07/2026 15:29
Ricardo Stuckert
Presidente Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comentou a aplicação do novo “tarifaço” dos Estados Unidos contra produtos brasileiros. Em evento no Rio de Janeiro, nesta sexta-feira (17/7), o petista disse aguardar um posicionamento de Donald Trump sobre o tema, mas alertou que o Brasil “não aceita desaforo” de outro país.

“Eu vou deixar para falar do tarifaço quando o Trump falar. Enquanto ele não falar, eu não falarei porque vamos mostrar que contra o Brasil ninguém ganha mentindo. Ou é mais verdadeiro que nós ou não vai enganar a sociedade brasileira”, disse.

No final do evento, Lula voltou a falar sobre respeito ao Brasil. “Esse país precisa estar de cabeça erguida porque não aceitamos que nenhum outro país do mundo faça desaforo para o Brasil. Nós queremos respeito, da mesma forma que vamos respeitar todo mundo”, disse.


Tarifaço contra produtos brasileiros

  • Na noite da última quarta-feira (15/7), os EUA decidiram taxar alguns produtos brasileiros em 25% após investigação do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) sobre práticas comerciais brasileiras.
  • Após a conclusão da investigação, o governo brasileiro tentou negociar com representantes americanos, no entanto, o diálogo entre as equipes não resultou na reversão das taxas.
  • O governo do Brasil se pronunciou sobre o assunto e condenou a imposição de tarifas, chamando a medida de desproporcional e inaceitável.
  • O ministro da Fazenda, Dario Durigan, já havia antecipado a possibilidade de utilização da Lei de Reciprocidade caso as tarifas fossem efetivadas – o que foi confirmado em nota divulgada pela Presidência da República.
  • “O Brasil iniciará imediatamente os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, e retomará o tema no âmbito do mecanismo de solução de controvérsias da OMC”, afirmou o texto.

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Tarifaço

O governo Lula rechaça os argumentos do USTR e avalia que não há justificativa para a aplicação das sanções econômicas. O Planalto vê motivação política na imposição das taxas.

O governo estima que a taxa vai impactar cerca de 18% das exportações brasileiras aos EUA, o que corresponde a US$ 7,4 bilhões. Entre os itens que serão afetados, estão etanol, máquinas agrícolas, calçados, vestuário, açúcar, papel e diversos produtos químicos. Outros cerca de 2 mil produtos ficaram fora da decisão dos EUA.

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Após o anúncio do tarifaço, a gestão petista afirmou que vai reforçar o Plano Brasil Soberano — criado para socorrer empresas afetadas pelas tarifas. Além disso, avalia, com cautela, adotar da Lei de Reciprocidade. Auxiliares do presidente avaliam formas de implementar a medida sem causar impacto na economia brasileira.