Lula fala em "mudanças que tem que fazer" após conversas com partidos
Lula disse que aproveitará a volta do recesso parlamentar para convocar conversar com líderes partidários para, só então, fazer mudanças

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a citar, durante a 8ª live semanal, Conversa com o Presidente, a relação com o Congresso Nacional. Lula disse que aproveitará a volta do recesso parlamentar para convocar conversar com líderes partidários para, só então, fazer mudanças.
“Eu tenho consciência que eu tenho que, agora que voltaram de férias, chamar os partidos outras vezes para conversar e tentar estabelecer uma definição do que eu quero propor. É importante saber que, no acordo político do regime presidencialista, é o presidente que propõe, não é o presidente que recebe a proposta. Eu vou ver e conversar e aí eu vou fazer as mudanças que tenho que fazer”, salientou.
Paira sob o governo, há meses, a fumaça da reforma ministerial: há, pelo menos, quatro ministérios no alvo de partidos do chamado Centrão, como o Partido Progressistas, o PP, e Republicanos, siglas com as quais o governo tem negociado cargos na Esplanada.
“A minha relação com o Congresso é a melhor possível. Eu não vou fazer simplesmente a política do ‘dando que se recebe’, como alguns pensam. Eu vou fazer um acordo político de governabilidade para esse país. Eu tenho que governar esse país até o dia 31 de dezembro de 2026 e quero entregar entregar ele crescendo e o povo ganhando mais”, disse Lula.
“Centrão é construção teórica”
O presidente afirmou que precisa “compor as forças políticas” para votar os assuntos enviados ao Congresso e negou qualquer relação específica com o Centrão.
“Vou conversar com os partidos. Eu não converso com o Centrão. O Centrão, para mim é uma construção teórica. O que existem são os partidos políticos. Vou conversar com os presidentes de partidos tentar compor, para que tenha tranquilidade nesse país”, reforçou.
O chefe do Executivo ainda disse que não tem pressa para que os projetos enviados ao Congresso Nacional sejam votados. Questionado sobre os prazos, Lula disse que tem consciência da celeridade que tudo deve ser feito.
“Eu estou convencido, pelas conversas que eu tenho tido com Lira e Pacheco, que as coisas vão ser votadas naturalmente, de acordo com o tempo do Congresso Nacional. Não é de acordo com o meu tempo. O que estamos propondo é o que interessa ao povo brasileiro, por isso eu tenho certeza que o Congresso vai aprovar as coisas que nós mandarmos pra lá. Vamos encontrar um denominar comum”, sugeriu o mandatário.
Acordos políticos
O PP, por um lado, quer a gestão de pautas consideradas estratégicas, como é o caso do Ministério da Saúde, chefiado por Nísia Trindade, e do Ministério do Desenvolvimento Social, de Wellington Dias. As duas pastas recebem grande parte das emendas parlamentares. O presidente Lula, porém, já anunciou publicamente que as duas pastas são suas e que uma troca no comando desses ministérios não deve ocorrer.
Já o Republicanos tem demonstrado interesse em assumir a chefia do Ministério do Esporte, de Ana Moser, ou do Ministério da Ciência e Tecnologia, de Luciana Santos.
Além das mudanças no comando de ministérios, as trocas devem afetar a Caixa Econômica Federal e a Fundação Nacional de Saúde (Funasa). O banco público, pelas contas do Centrão, rifaria Rita Serrano para abrigar o ex-ministro Gilberto Occhi, indicado pelo PP.
Já a recém-recriada Funasa, que conta com um orçamento bilionário, é disputada por PP e União Brasil. O Planalto, porém, insiste que o comando do órgão será entregue a um nome técnico e de carreira. Outro pedido do Centrão é a Empresa Brasileira de Turismo (Embratur), que hoje é chefiada por Marcelo Freixo (PT), aliado próximo de Lula.

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