Lula defende reforma no STF: "Ninguém pode ficar 40 anos no cargo"
Em meio à crise no STF, Lula defende debate sobre tempo de mandato para ministros e novas regras para o Judiciário

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu, nesta quinta-feira (10/9), mudanças na estrutura do Poder Judiciário e afirmou que é preciso discutir a duração de mandatos para ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo o petista, a permanência de magistrados por décadas no cargo pode contribuir para uma concentração excessiva de poder.
“Eu, sinceramente, hoje acho que é preciso a gente discutir um mandato para a Suprema Corte. Ninguém pode ficar 40 anos no mesmo cargo”, afirmou Lula em entrevista ao SBT, realizada no Palácio da Alvorada.
Durante a entrevista, Lula argumentou que a crise institucional na Corte reforça a necessidade de discutir mudanças no funcionamento do Judiciário. “Se a Suprema Corte virar uma balbúrdia, ninguém confia em ninguém, ninguém conversa com ninguém, todo mundo acusa todo mundo, o presidente tem que assumir o presidencialismo e colocar ordem na casa”, declarou.
O petista também defendeu a criação de critérios que limitem a atuação de integrantes do Judiciário. “É preciso criar critérios, porque, senão, as pessoas vão virando deuses e acham que podem tudo”, completou.
As declarações ocorrem em meio à crise envolvendo ministros do STF e às investigações relacionadas ao Banco Master e ao Escândalo do INSS.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesLula disse estar satisfeito com as medidas adotadas pelo presidente do STF, Edson Fachin, mas afirmou que ainda é necessário avançar nas investigações para identificar eventuais responsáveis por irregularidades e voltou a defender uma investigação ampla sobre as suspeitas envolvendo integrantes da Corte, para “apurar tudo, doa a quem doer”.
“Todo mundo tem que ser investigado. Do presidente da Suprema Corte ao presidente da República. Do mais simples catador de papel ao mais rico empresário. Todos os que tiverem suspeita de terem cometido qualquer equívoco têm que ser investigados”, afirmou.
Na quarta-feira (9/9), Fachin derrubou decisões monocráticas dos ministros André Mendonça e Flávio Dino sobre a permanência do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, no cargo. O presidente da Corte ainda convocou o plenário para discutir o caso, na próxima terça-feira (15/9).

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A tensão no Supremo escalonou a partir da divulgação de mensagens extraídas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, na semana passada. Desde então, dois ministros da Corte, André Mendonça e Alexandre de Moraes, pedem investigações um contra o outro por suas condutas.
Mendonça retirou o sigilo de autos do caso Master. Os documentos que vieram a público indicam que Moraes mantinha conversas com Vorcaro. O ministro Alexandre de Moraes, por sua vez, considerou haver “fortes indícios” de abuso de autoridade e crime de responsabilidade por parte de Mendonça na condução de processos das operações Sem Desconto e Compliance Zero, da PF, e encaminhou o caso ao presidente da Corte, Edson Fachin, no âmbito do Inquérito das Fake News.
Na terça-feira (8/9), Mendonça considerou que relatórios da PF utilizados por Moraes na decisão eram de “superlativa gravidade e ilicitude” e determinou o afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada.
Segundo a decisão de Mendonça, o diretor-geral da PF encaminhou a Moraes ao menos seis “relatórios de inteligência” produzidos, de forma sigilosa, entre 3 e 31 de agosto de 2026. A peça aponta que o próprio André estava sendo monitorado ilicitamente por parte da inteligência policial há mais de 30 dias.
Na quarta-feira (9/9), Flávio Dino julgou um recurso de Andrei e determinou a reintegração dele e de Leandro Almada aos respectivos cargos na Polícia Federal. No mesmo dia, Fachin suspendeu as decisões de Mendonça e de Dino envolvendo o comando da PF e determinou que o impasse seja levado ao plenário da Corte.



