Lula começa discurso no 1º de Maio pedindo desculpas aos policiais

Ex-presidente havia criado incômodo na categoria e virado alvo de críticas por opor policiais a pessoas numa gafe quando criticava Bolsonaro

atualizado 01/05/2022 16:57

Reprodução/Cnn

Ao participar de um evento em comemoração ao Dia do Trabalhador em São Paulo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pré-candidato do PT à Presidência da República, começou seu discurso pedindo desculpas aos policiais.

Segundo Lula, sua intenção era dizer que Bolsonaro só gosta de milicianos, mas ele acabou ofendendo os policiais.

“Quando eu estava fazendo o discurso [sábado, 30/4], eu queria dizer que o Bolsonaro só gosta de milícia, ele não gosta de gente. E eu falei que ele só gosta de polícia, não gosta de gente. E eu quero aproveitar para pedir desculpas aos policiais deste país, porque muitas vezes comete erros, mas muitas vezes salva muita gente do povo trabalhador e nós temos que tratá-los como trabalhador nesse país. E eu resolvi pedir desculpas junto a vocês, porque neste país o habitual é as pessoas não pedirem desculpa”, disse Lula.

Lula ainda aproveitou para cobrar desculpas de quem o acusou injustamente e o colocou na cadeia.

“Eu, por exemplo, estou esperando há seis anos que as pessoas que me acusaram o tempo inteiro peçam desculpa. Só peçam desculpa. Sabe? Peçam desculpas ao povo brasileiro. Peçam desculpa às mulheres e crianças que ficaram meses e meses ouvindo eles me xingarem. Na hora que a minha inocência é provada e na hora que nesta semana a ONU publica o relatório dizendo que eu fui vítima da sacanagem de um ministro, devem começar a pedir desculpa, porque é assim que a gente vai restabelecer um jeito gostoso de fazer política neste país. Portanto eu escolhi o meio dos trabalhadores pra utilizar a palavra desculpas aos policiais que por acaso se sentiram sentido com o que eu falei ontem.”

Discurso em ato do Dia dos Trabalhadores

Lula voltou a criticar Bolsonaro e disse que o atual presidente nunca se reuniu com representantes dos trabalhadores e de outras classes. “Ele nunca se reuniu com dirigentes sindicais, ele nunca reuniu os governadores, ele nunca reuniu os prefeitos, ele nunca reuniu os movimentos sociais. Portanto, esse cidadão só governa para, quem sabe, os milicianos dele. Alguns, inclusive, quem sabe, com responsabilidade pela morte da Marielle. E a gente quer saber quem é que mandou matar a Marielle”, discursou Lula.

O ato ocorreu na praça Charles Miller, em frente ao estádio do Pacaembu, e não teve o público esperado.

Antes da fala de Lula houve a apresentação do rapper Dexter e de Lecy Brandão. Depois, houve o ato político com falas dos presidentes das centrais e de representantes de partidos da aliança.

Presenças de políticos

A presidente do PT, Gleisi Hoffmann disse que Bolsonaro está tentando tirar o foco a crise gerada pela inflação e por isso organizou atos no 1° de Maio contra o STF.

“Venho aqui com orgulho representando o parido dos trabalhadores e das trabalhadoras para falar dessa causa que é a razão da existência do PT”, disse ela. “Comemoramos desde 1917 o 1° de Maio, que demarcam a luta que fazemos pelos direitos, para avançar nas causas e nas conquistas”.

“Temos uma pessoa hoje no poder que coloca como centralidade o interesse pessoal. Alguém aqui acha que a vida está ruim por causa do STF? Bolsonaro quer desviar a pauta”, disse Gleisi.

O pré-candidato ao governo de São Paulo pelo PT, Fernando Haddad, também esteve no evento, no palanque. Já o pré-candidato do PSB, Marcio França, esteve no ato, mas ficou no meio do público, não subiu ao palanque. Ao ser abordado, ele disse que foi só para sentir o clima e aplaudiu o discurso de Lula.

Participaram da organização entidades como CUT, Força Sindical, UGT, CTB, NCST, Intersindical Central da Classe Trabalhadora e Pública Central do Servidor.

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