Líderes evangélicos foram avisados sobre afastamento de Ribeiro do MEC

Ministro da Educação, Milton Ribeiro, vai se dedicar a esclarecer os fatos. Anúncio deve ocorrer a qualquer momento

atualizado 28/03/2022 14:19

Ministro da Educação Milton Ribeiro. Ele tem cabelos brancos ao lado da cabeça e usa óculos - MetrópolesIsac Nóbrega/PR

Líderes evangélicos já foram avisados pelo Palácio do Planalto sobre o iminente afastamento do ministro da Educação, Milton Ribeiro. O anúncio deve ocorrer “a qualquer momento”.

No último fim de semana, Ribeiro discutiu com o presidente Jair Bolsonaro (PL) sua licença da pasta para se defender das acusações de participação em propina, conforme revelou o colunista do Metrópoles Guilherme Amado.

Uma das lideranças afirmou, em reserva, que o ministro não deve ocupar nenhum outro cargo neste momento e que vai se dedicar a esclarecer os fatos e provar que não houve da parte dele nenhuma prática ilícita, podendo voltar para a pasta mais adiante.

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O deputado federal Marco Feliciano (PL-SP) cobrou publicamente que o ministro “não retarde seu licenciamento” do cargo.

“Caro Ministro Milton Ribeiro, por sua saúde emocional, por sua família, que deve estar sofrendo, por nós evangélicos, que estamos sendo triturados, pelo presidente Jair Bolsonaro, que em um ano tão importante está sendo arrastado para essa história estranha, não retarde seu licenciamento!”, escreveu.

Apesar de Bolsonaro seguir dizendo que acredita na inocência do ministro, a história tem trazido desgaste ao governo. Assim, o presidente entendeu que o melhor cenário neste momento seria tirar Ribeiro de cena.

Além das investigações no Ministério Público Federal (MPF), a Comissão de Educação do Senado convidou o ministro para prestar esclarecimentos na próxima quinta-feira (31/3) sobre as gravações.

Em áudios sobre o papel de pastores na destinação de verbas da pasta, revelados pela Folha de S.Paulo na semana passada, Ribeiro confirma o direcionamento e afirma que faz isso a pedido do presidente Bolsonaro. Os religiosos beneficiados não têm cargo, e atuam em um esquema informal de obtenção de verbas do Ministério da Educação (MEC).

“Foi um pedido especial que o presidente da República fez para mim sobre a questão do [pastor] Gilmar”, afirma o ministro na conversa em que participaram prefeitos e os dois religiosos. Os recursos são geridos pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), órgão do MEC controlado por políticos do Centrão.

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