Liberais “puro sangue” apresentam propostas a Covas, mas negam apoio cego

Membros do movimento suprapartidário liberal Livres cobram compromisso de Bruno Covas com menos Estado, mas com mais transparência

atualizado 28/11/2020 13:42

Bruno covas eleicoes sao paulo sp prefeito 2020Fábio Vieira/Especial Metrópoles

São Paulo – O prefeito e candidato Bruno Covas (PSDB) se reuniu com membros do Livres, movimento político liberal, na tarde de quarta-feira (25/11). Na reunião, o Livres pediu para Covas assumir compromisso com políticas públicas defendidas pelo movimento, que prega menos Estado e mais liberdade ao setor e privado e aos indivíduos.

A assessoria da campanha de Covas apenas permitiu que a imprensa fizesse imagens de parte da reunião, sem interrogar os presentes. O Metrópoles conversou com Paulo Gontijo, diretor-executivo do Livres, para saber como foi o encontro.

Segundo Gontijo, a reunião não representa um endosso total do Livres à chapa de Bruno Covas e Ricardo Nunes (MDB).

“O Livres não tem por prática apoiar candidatos que não sejam do Livres. Porém, em São Paulo, achamos que seria fundamental estabelecer diálogo com uma candidatura que converge com as nossas ideias. A gente buscou um compromisso possível do prefeito com os nossos pontos”, disse Gontijo.

No encontro, o Livres apresentou um caderno de políticas públicas de autoria do movimento ao candidato. Os liberais também pediram que o atual prefeito assumisse compromisso com pontos considerados cruciais pela associação liberal, como desburocratização, desestatização com ampliação das parcerias público-privadas (PPPs), redução da fila das creches a zero, melhor desempenho dos serviços públicos e uma revisão participativa do plano diretor da cidade em 2021.

De acordo com Gontijo, o Livres dá o voto de confiança a Covas, mas esse voto não é cego. Questionado se o movimento possui qualquer crítica a ser registrada, Gontijo disse que não era o momento adequado.

“A gente claramente não faz um apoio que não seja crítico. A gente entende que existem diferenças. E entende que ele é o melhor candidato, embora imperfeito. Não acho que seria elegante tratar de críticas e divergência ao candidato neste momento. Não existe apoio cego, o que existe é a busca por compromissos comuns. Este é o nosso vínculo com ele”, declarou Gontijo.

Ironicamente, um dos pontos levantados pelo Livres é uma proposta do candidato Guilherme Boulos (PSol): promover uma consulta ampla e participativa para a revisão do Plano Diretor.

O Plano Diretor da cidade de São Paulo deverá ser revisado em 2021. A revisão impacta diretamente os interesses de construtoras, pois o documento determina o adensamento, a verticalização e o equilíbrio entre zonas residenciais e comerciais.

Segundo o jornal Folha de S.Paulo, os dez maiores doadores pessoas físicas de Bruno Covas pertencem ao mercado imobiliário, empreiteiras e incorporadoras, o que deu alicerce a diversas críticas de Boulos, que considera que Covas é o “candidato que vai governar para empreiteiras e não para o povo”.

É consenso entre liberais que o favorecimento a certas empresas em detrimento de outras é uma chaga para o livre mercado.

“Não sei o que levou essas pessoas a doarem a Bruno Covas, posso opinar sobre a relação entre o candidato e seus doadores. Apenas na prática poderemos saber o que vai acontecer. Defendemos a transparência total. Caso nós percebamos situações que não sejam transparentes ou que configurem algum tipo de capitalismo de compadrio, nós seremos os primeiros a denunciar, estaremos do lado da fiscalização”, declarou Gontijo.

Sobre o Livres

Segundo o próprio Livres, o movimento é “uma associação civil sem fins lucrativos que atua como um movimento político suprapartidário em defesa do liberalismo. Promovemos engajamento cívico e desenvolvimento de lideranças, projetos de impacto social e curadoria de políticas públicas para aumentar a liberdade individual no Brasil”.

Formado no seio do PSL, o movimento rompeu com o partido após ver a filiação de Jair Bolsonaro à legenda. Hoje sem partido, Bolsonaro concorreu à Presidência em 2018 pela sigla.

Deste então o Livres se junta a vários movimentos de renovação política suprapartidários, como RenovaBR, Rede de Ação Política Pela Sustentabilidade (Raps), Vote Nelas e Ocupa Política. Dentre os citados é o único que defende políticas públicas sustentadas pelo pensamento liberal, seja na economia, seja nos costumes. O movimento apoia a legalização do uso da maconha para fins recreativos, mas não fecha posição sobre o aborto. Em São Paulo, o Livres terá uma representante a partir de 2021, a vereadora eleita Cris Monteiro (Novo).

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