Entidade de tucano distribui cestas básicas; psolistas veem compra de votos

Circula vídeo em que entidade de filiado ao PSDB distribui alimentos próximo a carro de campanha do Covas; entidade nega acusações

atualizado 27/11/2020 0:31

Reprodução

São Paulo – Começou a circular nas redes sociais de integrantes do PSol, como a deputada federal Sâmia Bomfim (PSol-SP), um vídeo que mostra uma distribuição de cestas básicas na região da Brasilândia, zona norte de São Paulo. No vídeo, há uma fila de pessoas próximas a um carro com o número 45. Algumas pessoas circulam com caixas e ao fundo é possível ouvir o jingle do candidato Bruno Covas (PSDB).

“Gravíssimo! Campanha de Bruno Covas está distribuindo cestas básicas na região do Peri e Brasilândia. Um absurdo se aproveitar da necessidade das pessoas nesse momento, enquanto abandonou a cidade e os mais pobres! Peço a vocês que sigam compartilhando e denunciando essa bizarrice. Estamos nos informando sobre medidas legais”, declarou a vereadora eleita Luana Alves (PSol-SP).

Em outro tuíte, a codeputada Estadual Paula Aparecida (PSol-SP), da Mandata Ativista, diz que a distribuição de cestas ocorreu com presença de carro oficial do governo.

O Metrópoles apurou que a distribuição de cestas básicas ocorreu de fato na Brasilândia, na rua Raulino Galdino da Silva, próximo ao número 1011, sede do Mosobe (Movimento Social Beneficente).

A entidade é dirigida por Emilson Almeida da Silva, presidente do diretório zonal da Brasilândia do PSDB.

Procurado pelo Metrópoles, Emilson Almeida da Silva confirmou que houve a distribuição de cestas básicas no local nesta semana, mas que não foi uma ação de campanha de Bruno Covas.

“O que ocorreu é que um carro estava passando na rua e estacionou ao lado da ação com o som ligado. Nós mandamos que ele desligasse e se afastasse. Este vídeo faz parecer que foi uma ação de campanha, mas não foi. Inclusive estamos averiguando quem divulgou o vídeo desta forma, acreditamos que seja alguém da vizinhança que antipatiza com o nosso trabalho, e vamos processá-lo”, afirmou Almeida da Silva. 

Segundo o diretor da Mosobe, a associação faz esse tipo de trabalho há mais de vinte anos e tem parcerias com a Legião da Boa Vontade (LBV), Ação da Cidadania e com o programa Viva Leite da Secretaria de Desenvolvimento Social do Governo do Estado de São Paulo.

Crise

De acordo com Almeida da Silva, foi no contexto do programa Cidade Solidária que a Mosobe distribuiu cestas básicas a cerca de 400 famílias cadastradas na região. A distribuição vem ocorrendo como uma ação do governo para assegurar alimentação adequada a atingidos pela crise econômica do novo coronavírus.

Questionado pela reportagem se uma entidade dirigida por filiado ao PSDB que distribui cestas básicas às vésperas das eleições não representaria conflito de interesses, Emilson Almeida da Silva disse que não participou da ação.

“Toda a distribuição foi feita por voluntários. Eu não participei da ação. Não houve nenhuma atividade de campanha durante a distribuição e temos várias testemunhas, como as próprias famílias que estavam ali, que podem comprovar isso. Processaremos quem fez parecer que foi atividade de campanha. Uma coisa não tem nada a ver com a outra”, declarou Almeida da Silva.

A reportagem também ouviu a equipe de Bruno Covas que disse que não distribui cestas básicas.

“É inadmissível que, há três dias das eleições, este tipo de conduta esteja sendo compartilhada. Apesar dos ataques e das fake news, vamos manter a nossa postura de mostrar aos eleitores o que fizemos nos últimos anos à frente da prefeitura da capital e o que vamos realizar nos próximos quatro anos”, declarou a equipe da campanha tucana.

A equipe de Guilherme Boulos estuda pedir na Justiça uma investigação do que ocorreu na Brasilândia.

“É ultrajante que, em pleno 2021, a distribuição de cestas básicas em troca de votos siga acontecendo na maior cidade do país. Estamos avaliando as medidas judiciais cabíveis para que nossos adversários cessem essa prática absurda”, declarou a equipe de campanha de Guilherme Boulos.

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